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Falta de remédio para o câncer obriga pacientes a interromper o tratamento

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O problema ocorre em diversos hospitais público pelo país. Medicamento deveria ser comprado com recursos previstos no Orçamento.

 

Hospitais públicos pelo país estão interrompendo o tratamento contra o câncer por falta de remédios essenciais que deveriam ser comprados com recursos previstos no orçamento. O resultado é o avanço impiedoso da doença.

Hospital Federal de Bonsucesso. Um nome que significava esperança para a supervisora administrativa Célia Vitorino.

O pai dela tinha um diagnóstico de câncer, mas com boas chances de cura e o encaminhamento para uma cirurgia, que deveria acontecer em breve.

Ele ia ficar uns dois dias para dar andamento nos exames para ser mais rápido. Depois disso, foi passando: dois dias, três dias, quatro dias, cinco dias.e nada”, queixa-se Célia.

No hospital, a rotina impõe uma longa espera para quem não pode esperar.  O descaso com pacientes que têm câncer foi alvo de uma vistoria do Conselho Regional de Medicina e da Defensoria Pública. A fiscalização encontrou pacientes com câncer no corredor, acomodados precariamente em macas, poltronas, e até em cadeiras.

“Eu encontrei pacientes do lado de pacientes com suspeita de tuberculose”, revela o defensor público Daniel Macedo.

O relatório das visitas diz que mais de 75% dos tratamentos de quimioterapia já foram interrompidos pelo menos uma vez por falta de medicamentos. A visita encontrou estoques zerados de remédios fundamentais. E o que é pior: segundo a Defensoria Pública, o hospital recebe dinheiro para comprar esses medicamentos.

“Há desvios de verbas, que nós já visualizamos isso, então falta material humano, faltam insumos e medicamentos de alta e baixa complexidade, e falta boa vontade”, afirma Daniel Macedo.

A lei determina que o tratamento contra o câncer deve começar até 60 dias depois do diagnóstico. O problema, segundo o relatório, é que os exames podem levar até seis meses, tempo em que a doença pode chegar a um estágio irreversível.

“Eu, para conseguir uma endoscopia, não consegui, tive que pagar R$ 700, dinheiro suado, porque eu sou aposentado. É muito triste, é triste, pobre não tem vez não”, lamenta-se o aposentado Roberto Nascimento.

“Eles também têm filho, têm pai, têm mãe, isso seria fundamental, as autoridades pensar mais um pouco quando tira da população o direito de viver”, diz Célia Vitorino.

Quando fez esse desabafo, ela ainda tinha esperança.  Mas dois dias depois da entrevista, o pai de Célia morreu no hospital.

A situação se repete por todo o país. Um hospital em Aracaju é um dos dois em Sergipe que fazem tratamento de câncer pelo SUS, mas por lá há sempre muitos problemas.

Ou é o medicamento que falta, ou é a máquina de radioterapia que quebra ou, como agora, quimioterapia e radioterapia estão suspensas e isso acaba prejudicando centenas de pacientes que enfrentam uma difícil batalha contra o câncer.

Desde que descobriu um câncer de pulmão há um ano, a dona de casa Simone Bernardino já parou a quimioterapia duas vezes por falta de medicamento.

“Antes, quando estava tomando certinho, estava tudo normal, agora que parou, comecei a ter dores, todo os dias tenho dores”, diz Simone.
 
Segundo a direção, a unidade recebe verba da União, do estado e da prefeitura de Aracaju. Mas o município está em atraso.

Outro hospital mostrado na reportagem é o único que atende pacientes com câncer no Amapá. Só que a maioria dos 200 pacientes parou o tratamento porque desde março o hospital não tem os remédios necessários para a quimioterapia.

Os próprios pacientes com câncer fizeram um levantamento para saber quem está precisando de remédios para quimioterapia. O resultado foi uma lista na qual, de todos os pacientes, só um tem o medicamento. Os outros estão tendo que esperar.
A Secretaria Estadual de Saúde disse que o fornecimento deve ser normalizado até o fim do mês.

O Hospital do Câncer de Mato Grosso realiza cerca de seis mil atendimentos por mês. Vem gente de todo o Brasil e até de outros países, como a Bolívia, que faz fronteira com o estado. Por causa da falta de repasse de recursos, o hospital teve que parar. Nem as quimioterapias e radioterapias estão acontecendo.

Os cinco hospitais filantrópicos de Mato Grosso estão sem receber a verba do Governo Federal, que é repassada pela prefeitura: quase R$ 20 milhões.

Eduarda, de 10 anos, começou o tratamento contra a leucemia há um ano e oito meses. Desde a semana passada, está sem fazer a quimioterapia.

Bom Dia Brasil: Você queria estar fazendo o tratamento certinho?
Eduarda: Queria, muito, para acabar tudo logo, para eu viver, tomar banho, todas as coisas que eu quero.

A Secretaria de Saúde de Cuiabá declarou que a parcela de setembro, de R$ 3 milhões será depositada nesta quarta-feira.

A Secretaria do Amapá informou que teve problemas na contratação de fornecedores, mas que já comprou os medicamentos que faltavam.

O Hospital de Aracaju disse que o município pagou parte da dívida de R$ 8 milhões e que as sessões de quimioterapia e radioterapia devem ser retomadas esta semana.

O Hospital Federal de Bonsucesso declarou que não reconhece o percentual de interrupção de quimioterapias apontado na vistoria e que todos os medicamentos em falta já foram providenciados.

Sobre o paciente José Vitorino, pai da Célia, o hospital disse que ele foi submetido a todos os procedimentos necessários, mas devido à instabilidade de seu quadro de saúde, não pôde ser operado.

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