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Pacientes com câncer incurável entram em remissão após terapia genética

CH Rio de Janeiro

 

CHICAGO — Médicos e pesquisadores divulgaram, nesta segunda-feira, os resultados de uma pesquisa com imunoterapia que apresentou taxa de resposta "sem precedentes" em pacientes com mieloma múltiplo — um tipo de câncer no sangue até hoje incurável, que pode danificar os ossos, o sistema imunológico, os rins e a contagem de glóbulos vermelhos.

Na pesquisa, 33 dos 35 pacientes (94%) com esse câncer que participaram da experiência apresentaram remissão da doença — quando não há sinais dela, mas ainda não se pode dizer que se está curado — apenas dois meses depois de começarem uma terapia com de células T, que são as reponsáveis pelo sistema imunológico.

Os cientistas retiraram células T dos próprios pacientes, modificaram-nas em laboratório com receptor de antígeno quimérico (CAR) e as injetaram novamente nos participantes, por meio intravenoso. Os primeiros resultados já começaram dez dias após esse processo. E a maioria dos pacientes teve efeitos colaterais mínimos.

Os dados foram divulgados durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica 2017 (ASCO), em Chicago, nos EUA, e publicados no "Journal of Clinical Oncology".

Especialistas presentes no evento ressaltam que, apesar de o número de pacientes ser pequeno, é raro que qualquer tratamento contra o câncer tenha tamanho sucesso.

— Ainda é cedo, mas esses dados são um forte sinal de que a terapia com células T CAR pode colocar o mieloma múltiplo em remissão — destacou o oncologista Michael S. Sabel, da Universidade de Michigan. — É raro ver taxas de resposta tão altas, especialmente para um câncer difícil de tratar. Isso serve como prova de que a pesquisa de imunoterapia compensa.

A reprogramação genética das células T envolve a inserção de um gene projetado artificialmente no genoma dessas células, o que as ajuda a encontrar e destruir células cancerosas em todo o corpo.

Novas pesquisas ainda serão realizadas para determinar se esse tratamento é capaz, de fato, de curar a doença.

— Embora os avanços recentes na quimioterapia tenham dado uma expectativa de vida prolongada a quem tem mieloma múltiplo, este câncer permanece incurável — pontuou o autor do estudo, Wanhong Zhao, diretor associado de Hematologia no Second Affiliated Hospital da Universidade Xian Jiaotong, na China. — Nos parece que, com esta nova imunoterapia, pode haver uma chance de cura para o mieloma múltiplo, mas precisamos acompanhar pacientes por muito mais tempo para confirmar isso.

 

Fonte: Site | O Globo

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