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Data de criação: 22 Abril 2016

Câncer Infantil - Leucemia Mieloide Aguda (LMA)

A leucemia mieloide aguda (LMA) é o segundo tipo de leucemia mais comum em crianças e adolescentes. Ela não é hereditária, mas ainda não se sabe o porquê de seu surgimento.

Ela acontece quando os glóbulos brancos que estão se diferenciando dentro da medula óssea sofrem alterações e começam a se multiplicar de maneira desordenada. No caso da LMA o grupo doente é o mieloide, especificamente os granulócitos, glóbulos vermelhos e plaquetas.

Sua principal característica é a super produção de células imaturas (que acabaram de nascer), também conhecidas por blastos (tipos de glóbulos brancos, responsáveis por combater as infecções).

Por ser uma leucemia aguda, as células doentes são aquelas ainda muito jovens, também chamadas de imaturas. Na LMA, o crescimento rápido e desordenado dessas células interfere na produção de todas as células sanguíneas. Sua evolução é bastante rápida, tornando fundamental que o diagnóstico seja precoce e o tratamento se inicie o quanto antes.

Elas passam a se desenvolver de forma descontrolada e param de desempenhar sua função, a de proteger o organismo contra as bactérias, vírus.

 

Sinais e sintomas 

78294464As crianças e adolescentes podem apresentar como sinais:

- Febre e infecções recorrentes, pois a doença se dá nos glóbulos brancos;
- Aumento de nódulos linfáticos, baço e fígado;
- Fadiga, fraqueza e palidez (devido à redução de glóbulos vermelhos);
- Dor nos ossos;
- Redução de peso;
- Hematomas e sangramentos espontâneos, devido à baixa de plaquetas.

Atenção à febre, dor óssea e palidez. Estes são os sintomas mais comuns na criança com leucemia aguda.  

Se perceber qualquer alteração física ou de comportamento na criança e/ou adolescente, procure um médico. O especialista neste tipo de leucemia é o onco-hematologista. No dia da consulta, conte ao médico sobre cada um dos sintomas. Isso pode ajudar, e muito, no momento do diagnóstico.

 

Diagnóstico

O hemograma completo (exame de sangue) é o primeiro a ser pedido pelo médico e mostrará alterações na contagem de células – a doença provoca aumento / diminuição / números normais de glóbulos brancos, e também pode atingir os glóbulos vermelhos e as plaquetas.

O mielograma, quando uma gota de sangue da medula óssea é retirada por meio de uma agulha, será fundamental para a investigação das anormalidades registradas no hemograma. Em raros casos, o médico pode pedir uma biópsia da medula óssea, e um fragmento do osso da região lombar será retirado para avaliação em laboratório. A partir disso é que será constatada a leucemia.

O exame de citogenética, feito por meio de pequena amostra de sangue da medula óssea, irá analisar as alterações específicas das células doentes.

Já a imunofenotipagem, por sua vez, feita também com uma amostra de sangue da medula óssea, irá verificar as características das células.

O médico irá solicitar um estudo do líquido da espinha (líquor) para saber se existe células da leucemia no sistema nervoso central.  O aumento do baço e fígado, comum a alguns pacientes com LMA, devem ser analisados pelo exame físico e por meio de exames de imagens, como a ultrassonografia.

**Todos estes exames estão disponíveis no Sistema Único. Se você está enfrentando alguma dificuldade, saiba que a Abrale oferece gratuitamente Apoio Jurídico!

 

Importante! Quanto antes a LMA for descoberta, melhor. O diagnóstico precoce fará toda a diferença na conquista por melhores resultados durante o tratamento.

Converse com o médico a respeito dos exames e procure tirar todas as suas dúvidas: como são feitos os procedimentos, se há algum risco, em quanto tempo saberá o resultado e o que mais quiser saber. É muito importante se sentir seguro!

 

Subtipos

Os exames de diagnóstico também poderão determinar quais os principais subtipos da leucemia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a LMA está dividida em oito subtipos:

M0: leucemia indiferenciada*

M1: leucemia mielóide aguda sem diferenciação

M2: leucemia mielóide aguda com diferenciação

M3: leucemia promielocítica

M4: leucemia mielomonocítica

M5: leucemia monocítica

M6: eritroleucemia

M7: leucemia megacariocítica

*Este subtipo somente pode ser identificado pela imunofenotipagem. Com base nisso, o médico irá definir qual o tratamento deverá ser seguido.

LPA - A leucemia promielocítica aguda (LMA M3) é um dos subtipos da LMA que atinge crianças e adolescentes e exige tratamento diferenciado.

Os cromossomos das células humanas compreendem 22 pares (numerados de 1 a 22, e dois cromossomos sexuais), num total de 46 cromossomos. A LPA apresenta uma translocação (fusão de uma parte de um cromossomo com outro cromossomo) entre os cromossomos 15 e 17, a chamada translocação t (15;17), formando, assim, um gene anormal, chamado pelos especialistas de PML/RARA.

Por este motivo, ela exige tratamento diferenciado. Junto com a quimioterapia, que utiliza daunorrubicina e citarabina, essas crianças recebem também o ácido retinóico. A LPA raramente se dissemina para o cérebro ou medula espinhal medula, dessa forma a quimioterapia intratecal não é geralmente necessária.

 

Tratamento

Neste momento, o importante é combater as células doentes presentes na medula óssea e no sangue.

Os principais tratamentos são:

Quimioterapia

Este é o tratamento mais utilizado. Vários medicamentos extremamente potentes no combate ao câncer são utilizados com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes. São eles:

· Daunorrubicina

· Citarabina

· Etoposide

· Mitozantrone

Ela pode ser oral ou aplicada direto no sangue. Sua administração é feita em ciclos, com um período de tratamento, seguido por um período de descanso, para permitir ao corpo um momento de recuperação, e o uso de cateteres para a infusão da quimio é necessário. Saiba como cuidar do cateter

Alguns efeitos colaterais podem surgir, como enjoo, diarreia, obstipação, alteração no paladar, boca seca, feridas na boca e dificuldade para engolir. Mas saiba que existem alternativas para amenizá-los. A nutrição é uma importante aliada na melhora de cada um deles, e por isso a Abrale fez uma seleção de alimentos que vão ajudar bastante neste momento

A queda de cabelo também costuma acontecer, pois a quimioterapia atinge as células malignas e também as saudáveis, em especial as que se multiplicam com mais rapidez, como os folículos pilosos, responsáveis pelo crescimento dos cabelos. A criança pode usar boné ou lenço, caso se sinta mais à vontade.

A imunidade baixa, comum a esta fase do tratamento, pode facilitar o surgimento das infecções. A febre é o aviso de que um processo infeccioso está começando, então fique atento e procure imediatamente um médico. Se for necessário, medicamentos serão administrados.

Mas com pequenos cuidados, como lavar as mãos com frequência, a criança pode evitar que essas temidas infecções apareçam. Veja outras dicas

Transfusões de sangue

Pode ser preciso realizar a transfusão de plaquetas para evitar ou controlar os sangramentos, ou transfusões de glóbulos vermelhos para o tratamento da anemia.  

Transplante de medula óssea

Também chamado de transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), poderá ser uma alternativa, a depender de uma análise criteriosa que inclui características da doença, o quadro do paciente e se há um doador compatível. O tipo de transplante a ser realizado é o alogênico, quando a medula vem de um doador 100% compatível.

Para entender melhor o transplante de medula óssea, clique aqui.

Radioterapia

Este procedimento é bastante raro em leucemias, mas pode ser indicado antes do transplante de medula óssea para diminuir o tamanho do baço. Nele, são utilizadas radiações ionizantes para destruir ou inibir o crescimento das células anormais.

Os efeitos colaterais vão depender da localização em que o procedimento será realizado. Geralmente, o paciente pode apresentar problemas de pele, como ressecamento, coceira, bolhas ou descamação. Saiba como cuidar de sua pele

 

 

 

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