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leucemia

Data de criação: 18 Abril 2016 Last modified on 18 Abril 2016

Vivendo com a LMA

Consultoria – Dr. Guilherme Perini

Ser diagnosticado com leucemia mieloide aguda definitivamente não é uma sentença de morte. Com todos os avanços na ciência, hoje os tratamentos possibilitam a remissão completa da doença, e também uma vida normal.

Visite as páginas abaixo e saiba como enfrentar com força e qualidade este novo momento!

 

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  • Para minha família. Antes de começar a contar minha história, sou obrigado a fazer um breve resumo de quem sou.Por toda minha vida, sempre fui um esportista, joguei basquete durante muito tempo. Tenho 1,93 cm de altura e peso 95 kg. Minha família é unida e feliz. Numa noite de julho de 2001, ao sair de uma festa, fui obrigado a empurrar o carro ladeira acima devido a uma pane elétrica. Foi um esforço sobre-humano, mas pessoalmente gratificante. Coisas de homem... Jamais imaginaria que a partir desse momento minha vida se tornaria um pesadelo tão grande... por mais de três anos!E a Leia mais
    Para minha família. Antes de começar a contar minha história, sou obrigado a fazer um breve resumo de quem sou.Por toda minha vida, sempre fui um esportista, joguei basquete durante muito tempo. Tenho 1,93 cm de altura e peso 95 kg. Minha família é unida e feliz. Numa noite de julho de 2001, ao sair de uma festa, fui obrigado a empurrar o carro ladeira acima devido a uma pane elétrica. Foi um esforço sobre-humano, mas pessoalmente gratificante. Coisas de homem... Jamais imaginaria que a partir desse momento minha vida se tornaria um pesadelo tão grande... por mais de três anos!E a dor não cediaNo dia seguinte ao esforço, acordei com uma dor incômoda nas costas. Passados três dias, a dor não cedia e resolvi procurar um hospital municipal, já que não tinha plano de saúde. Após uma avaliação clínica, o diagnóstico foi uma contratura muscular com prescrição de analgésicos e anti-inflamatórios. A dor não cedeu. Procurei então uma clínica particular. O diagnóstico foi o mesmo, assim como a prescrição de medicamentos. Apenas me recomendaram sessões de fisioterapia. De novo, a dor não cedeu. Algo estava errado. A dor aumentava, e novos sintomas surgiram: ardência peitoral, dormência abdominal e dificuldade para caminhar. Finalmente, já em novembro de 2001, minha irmã sugeriu mais uma opinião médica. Fomos então eu e ela a um hospital particular. Após um raio-X de coluna e tórax, o médico receitou analgésicos mais potentes e uma ressonância magnética. Mais uma vez, a dor não cedeu. Na metade de novembro de 2001, os sintomas estavam insuportáveis. A dormência abdominal era quase completa, eu sentia ardência no peitoral extrema e minha marcha era completamente desordenada. Eu fui encaminhado a uma ressonância magnética, um exame mais profundo, que revelou o grande mistério: havia um tumor crescendo na minha coluna e comprimindo a medula espinhal. A dor era como uma faca nas minhas costas. Eu já não dormia, não conseguia relaxar: a única maneira de dormir por algum tempo era colocando gelo nas costas e no peito. Mas ainda assim era por um breve período. A prioridade, após uma consulta com um neurocirurgião, era uma cirurgia para retirada e posterior classificação do tumor. Pernas paralisadasFui internado no dia 30 de novembro de 2001. A cirurgia foi feita no dia seguinte, 1º de dezembro, aniversário de meu pai. Eu me lembro de ter acordado e finalmente me sentia sem dor. Ainda que estivesse com um dreno nas costas, tudo estava bem, eu tinha movimento nas pernas e estava aliviado. Tudo parecia sob controle. Ledo engano.Durante uma manobra para assepsia, no dia 3 de dezembro, a mistura de imprudência, imperícia, incompetência e tudo mais de um enfermeiro fez com que o dreno fosse deslocado. Imediatamente senti minhas pernas se desconectando do resto de meu corpo. Tal qual água escoando por um ralo, minhas pernas foram perdendo sensibilidade e movimentos. Tive uma hemorragia no local da cirurgia que me causou uma compressão da medula espinhal provocando um choque medular! Fui levado de emergência para uma tomografia e depois para o centro cirúrgico, mas o estrago estava feito: perdi o movimento de minhas pernas! Os gritos de desespero foram sendo substituídos por um choro baixo e já sem forças. O desespero tomou conta de mim. Minha internação, que seria apenas de quatro dias, acabou se estendendo por longos e sofridos 15 dias. Ao sair do centro cirúrgico, eu tinha alguma sensibilidade. Porém, estava paralisado do umbigo pra baixo. Na manhã do dia 6 de dezembro de 2001, durante uma visita de rotina do médico, consegui mexer levemente um dedo do pé esquerdo. Minha alegria era tanta que não sabia se ria ou chorava, gritava ou cumprimentava o médico. Voltei para casa no dia 15 de dezembro de 2001 de ambulância, em uma maca. Comecei um longo e intenso trabalho de fisioterapia com uma amiga fisioterapeuta que se revelou não só isso, mas também um anjo da guarda. Com ela e sua assistente, outro anjo, reaprendi a andar. Porém, antes de andar, deveria reaprender a sentar com urgência. Só fui entender o motivo depois. Leucemia agudaQuando ainda não sabia se andaria um dia de novo, veio o resultado da patologia do tumor: eu tinha um tipo de câncer! Meu tumor era maligno. Após oito sessões de quimioterapia durante cinco meses, uma nova ressonância magnética revelou que eu estava em remissão, já que não havia sinal do tumor e meus exames de sangue estavam normais. Ainda assim, precisei fazer 20 sessões de radioterapia durante o mês de junho de 2002. Tudo isso em conjunto com a fisioterapia me possibilitava já conseguir andar de muletas. Eu estava curado!Passei a fazer as visitas de rotina ao médico para mero acompanhamento e tudo parecia bem. Mais uma vez, ledo engano. No dia 20 de setembro de 2002 começou minha recaída. Tosse forte, enjôo e vômito, acompanhado de uma febre alta e constante, deixaram-me magro, pálido e fraco. Já não tinha forças para andar e passava os dias deitado na cama. Novos exames indicaram que a doença havia voltado. Fui novamente internado num hospital particular e, posteriormente, transferido para um hospital universitário onde, após inúmeros exames doloridos, recebi uma noticia chocante que me fez desacreditar na justiça da vida: eu estava com leucemia aguda!O laboratório havia feito o diagnóstico erroneamente. O tratamento ao qual havia sido submetido teve um efeito apenas temporário, daí, a recaída da doença, dessa vez com força total e mortal! Neste meio tempo, foi dito a meus pais e irmãos que eu tinha apenas 3 meses de vida.Irmã compatívelDurante 53 dias fiquei internado no hospital. Passei por sessões de quimioterapia fortíssimas, emagreci 32 kg, perdi meus cabelos, não tinha controle de minha urina e fezes, vomitava o tempo todo por causa dos enjôos e recebia transfusões constantes de sangue e plaquetas devido a sangramentos pela boca e pelos olhos. Eu era apenas uma pálida e magra sombra do homem que sempre fui. Estava sem fé em Deus e desanimado. Porém, em momento algum desisti. Isto porque minha família era meu ponto de apoio. Meus pais eram como sombras minhas, sempre do meu lado para qualquer coisa. Durante o dia, minha mãe ficava ao meu lado e, à noite, meu pai dormia comigo no hospital. Os dois sempre com uma palavra de força, estímulo e jamais desanimando!No dia 5 de dezembro de 2002, voltei para casa. Estava em remissão, mas os médicos queriam me curar e, por isso, recomendaram um transplante de medula óssea. Concordamos. Enquanto eu me recuperava do tratamento, meus quatro irmãos, três mulheres e um homem, submeteram-se a exames de compatibilidade genética. As chances de um deles ser compatível comigo eram na proporção de 1 para 25.000. Apesar de todos os infortúnios passados, algo me dizia que eu teria um doador. E eu estava certo: uma de minhas irmãs era compatível! Fui internado no dia 17 de abril de 2003 para iniciar a quimioterapia necessária ao transplante. Foram sessões extremamente agressivas, pois era necessário que minha medula óssea fosse anulada para que eu pudesse receber a medula de minha irmã. Durante cinco dias, recebi a quimioterapia. Nos três primeiros dias, tomava por dia 98 comprimidos diluídos em água, 49 pela manhã e mais 49 à noite. Nos dois últimos dias, recebi quimioterapia intravenosa. O transplante foi realizado no dia 25 de abril de 2003. Neste dia, meus irmãos, por meio de minha irmã que é compatível comigo, deram-me uma segunda chance de viver. Nas semanas seguintes, sofri todos os efeitos colaterais devastadores. Finalmente, a curaNo dia 11 de maio de 2003, Dia das Mães, minha nova medula “pegou”, ou seja, começou a produzir as células sangüíneas. No dia 23 de junho de 2003, meu pesadelo terminou. Recebi dos médicos a notícia de que havia ocorrido quimera! O transplante havia sido um sucesso, e eu agora tenho uma medula óssea 100% saudável e com a produção de células normalizada! Ainda tive de passar o período todo pós - transplante em casa, evitando muitos contatos com as pessoas. Foram praticamente onze meses deitado em cima de uma cama, só saindo de casa para ir ao médico fazer exames. Ao sair do hospital, 36 dias após a internação, eu era obrigado a ir dia sim, dia não para fazer exames de sangue. Com o passar do tempo essas consultas foram se espaçando, mas, mesmo após 1 ano e meio de transplante, me sentia bastante debilitado, em função da agressividade do tratamento. Ainda assim posso afirmar categoricamente que toda a dor e sofrimento valeram à pena! Escrevo estas linhas após 10 anos do transplante. Recuperei meu peso, me casei com a mulher da minha vida, minha família cresceu (ganhei mais sobrinhos), estou cheio de saúde e com a auto-estima renovada. Continuo fazendo a fisioterapia para diminuir as seqüelas motoras ao máximo, me exercito e levo uma vida normal, dentro dos limites que ainda existem, mas com independência, trabalhando, viajando e vivendo um dia de cada vez. Minha família lutou e sofreu cada uma dessas etapas comigo. Meus irmãos sempre estiveram ao meu lado. Alguns amigos também não me faltaram. Hoje, após as demonstrações de amor e carinho nos momentos difíceis, já os considero como irmãos.Meu pai dizia desde o início que não me deixaria morrer. Minha mãe tinha a certeza que não me perderia. Não existem palavras suficientes para descrever o sofrimento daqueles que compartilharam tal sofrimento, assim como não existe nada capaz de medir a capacidade de amar de uma mãe e de um pai. O importante é nunca desistir de lutar. Se não for por você, que seja por sua família. Mas nunca desista.RICARDO AFONSO SILVA DE BRITO Ricardo Afonso Silva de Brito Leucemia Mieloide Aguda - LMA
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