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Data de criação: 03 Maio 2016 Last modified on 03 Maio 2016

Manifestações emocionais comuns no paciente com câncer

Em nosso dia a dia, inevitavelmente, recebemos notícias ruins que acontecem com outras pessoas. Com a rotina do trabalho e família, nem sempre a saúde é uma grande preocupação. De repente “aquela notícia”: você está com câncer!

Antes mesmo que você se dê conta, muitos pensamentos invadem sua cabeça e a dos seus familiares. Várias perguntas surgem: Como assumir a doença diante da sociedade? Como será o meu futuro? Quanto tempo ainda tenho de vida? Neste momento, vários sentimentos vêm à tona ou aparecem pela primeira vez. Além disso, o início do tratamento tem que ocorrer!

ansiedade 2As manifestações emocionais mais comuns em pacientes com diagnóstico de câncer incluem a ansiedade relacionada ao tratamento, pensamentos negativos a respeito da doença, sensação de esgotamento, alterações do sono, conflitos nos relacionamentos, sentimentos de vulnerabilidade e dúvidas existenciais, incluindo a questão da morte. Mesmo após o tratamento, costuma persistir a ansiedade, dessa vez, relacionada ao medo da doença voltar.

É necessário que as manifestações emocionais sejam avaliadas, pois podem ser graves, influenciar na qualidade de vida do paciente e até mesmo a reação ao tratamento.

Os principais transtornos emocionais que acometem pessoas com câncer são: transtorno de adaptação, transtornos depressivos e transtornos ansiosos.

É importante destacar que os fatores de risco para depressão e ansiedade parecem estar mais relacionados ao paciente do que à doença ou ao tratamento em si. Tais fatores são os mesmos associados à depressão e à ansiedade na população geral: problemas emocionais anteriores e dificuldades na rede de apoio social.

 

Transtorno de adaptação

É comum um choque inicial diante do diagnóstico de câncer, que costuma desestruturar o indivíduo, anteriormente saudável, e ser acompanhado pelo desenvolvimento de sintomas emocionais ou comportamentais que reduzem significativamente sua funcionalidade.

O transtorno de ajustamento, chamado também de transtorno adaptativo, é uma condição em que se observam sintomas emocionais e comportamentais que ocorrem dentro de um período de 3 meses após a situação estressante (por exemplo: a notícia da doença). Em teoria, pode-se pensar que todos os sintomas desapareceriam caso o diagnóstico pudesse ser falso.

Dentro do transtorno de adaptação existem os subtipos, descritos abaixo:

-  Ansioso: nervosismo, preocupação ou inquietação;

- Depressivo: humor deprimido, tendência ao choro ou sensações de impotência;

- Subtipo misto com ansiedade e depressão: combinação dos dois anteriores;

- Perturbação da conduta: confronto com outras pessoas ou desrespeito às regras;

- Perturbação mista das emoções e conduta: todas as manifestações citadas;

- Inespecífico: queixas corporais, isolamento social, acanhamento social;

Como o fator inicial em questão é o diagnóstico do câncer, espera-se que os subtipos mais comuns sejam os ligados a ansiedade e depressão. Isso motivado pelas dúvidas diante do tratamento, surgimento dos sintomas da própria doença e tratamento, incerteza da cura, sentimento de ser um peso para família e questionamentos sobre a razão de estar doente. Todas essas angústias levam a sintomas semelhantes a um quadro depressivo/ansioso (tristeza, sensação de cansaço, perda de esperança...).

 

Depressão

A depressão é diferente de um momento de tristeza. Para o indivíduo estar com depressão, a tristeza deve ser duradoura (a maior parte do dia, quase todos os dias, pelo período mínimo de 2 semanas), de maior intensidade, acompanhada de vários sintomas específicos e que trazem prejuízo à vida da pessoa. Os sintomas específicos incluem:

- Perda de prazer nas atividades diárias;

- Indiferença frente as situações;

- Diminuição da capacidade de raciocinar, de se concentrar ou/e de tomar decisões;

- Lentidão, fadiga e sensação de fraqueza;

- Alterações do sono (insônia ou muito sono)

- Alterações do apetite (Perda ou aumento do apetite)

- Diminuição do interesse sexual

- Afastar-se da convivência com outras pessoas

- Perda de interesse em situações do dia a dia: faltar muito ao trabalho ou piorar o desempenho escolar;

Diante do diagnóstico de câncer, a depressão e outras condições depressivas são comuns, inclusive para os familiares. O que é consenso, porém, é que o sofrimento vindo da depressão deve ser tratado e isto tem repercussão positiva para o paciente. Os familiares, muitas vezes os maiores parceiros da equipe de saúde, devem incentivar o paciente em tratamento de câncer a procurar apoio caso percebam algum dos sinais citados.

 

Ansiedade

A ansiedade é uma reação natural de uma pessoa diante de uma situação que gera grande expectativa. Como diferenciar uma ansiedade normal de uma que precisa ser tratada?

 Deve chamar atenção a ansiedade que é percebida por meio de uma preocupação elevada, que se mantem por pelo menos seis meses. Nestas situações, o tratamento com medicação pode ser necessário. Tem-se demonstrado que a ansiedade, independentemente de seu grau, pode reduzir consideravelmente a QUALIDADE DE VIDA dos pacientes e de suas famílias.

As pessoas próximas ao paciente também poder ficar ansiosas. Tal situação deve ser considerada e tratada separadamente, pois o paciente também “se preocupa em não dar tanta preocupação”. Deve-se lembrar de que a família e os amigos são um alicerce em que ele se apoia, não sendo benéfica uma situação em que o paciente é quem passa a ser a pessoa que conforta os outros.

O que se sabe é que, independente da alteração emocional, a conduta definidora e melhor para o paciente é seguir a orientação de seu médico que, com certeza, é bem assessorado por uma boa equipe multidisciplinar. Em relação à abordagem dos sintomas, a decisão de utilizar psicofármacos nesses pacientes deve ser examinada cuidadosamente.

As possibilidades de intervenções psicoterapêuticas podem ser uma saída. As abordagens psicológicas buscam um estado de equilíbrio e bem-estar para os pacientes e pessoas que o cercam. Podemos citar diferentes tipos: individual ou em grupo, familiar, de casal. Diante do tratamento, podem aparecer questões que o indivíduo já possuía durante toda sua vida e, pela situação de estar com câncer, percebe que isto pode ser trabalhado.

É fácil perceber ao longo deste texto um termo que fizemos questão de enfatizar: QUALIDADE DE VIDA. Uma boa QUALIDADE DE VIDA deve ser buscada por todas as pessoas, em todos os momentos de sua vida e não só diante de acontecimentos negativos! Ser feliz é o que todos querem e o cuidado com a saúde emocional é merecido. Lembrar que existem profissionais especializados neste cuidado é importante, principalmente em uma sociedade em que preconceitos e falsas crenças ainda estão presentes.

 

Por Nairton Cruz, psiquiatra - membro do Comitê Científico de Saúde Mental da Abrale.

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