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A arte de respirar

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Função vital inconsciente, quando controlada de forma correta traz incontáveis benefícios para a nossa vida

Função vital inconsciente, quando controlada de forma correta traz incontáveis benefícios para a nossa vida

Um ato simples, que realizamos milhões de vezes ao longo da vida é, porém, essencial para o organismo. A respiração leva às células o oxigênio contido no ar – vital para as nossas atividades metabólicas – e elimina o gás carbônico.

O vaivém de inspirar e expirar ocorre de uma forma tão natural que nem nos damos conta. Lenta e profunda quando somos bebês, com o passar do tempo ganha um ritmo mais acelerado.

Todo esse processo é registrado pelo cérebro. “De todas as funções vitais do corpo, a respiração é única. Embora funcione inconscientemente, também pode ser controlada pela vontade”, explica Clarice Knapp, professora de ioga e terapeuta corporal. “Quando involuntária, está sob comando do sistema nervoso na parte mais primitiva do cérebro. Quando consciente, envolve o córtex cerebral, a região mais evoluída. Nesse caso, os impulsos do córtex cerebral afetam áreas adjacentes ligadas às emoções.”

Quando estamos tensos e nervosos, a respiração é mais rápida e superficial. A mensagem que chega ao cérebro é de alerta e de que algo perigoso está acontecendo. Quando lenta e profunda, a mensagem é de tranquilidade. Cerca de 30% a mais do oxigênio chega ao cérebro e proporciona a sensação de bem-estar.

Assim, mesmo sem perceber, a respiração envolve diferentes músculos e pode ocorrer pelo nariz ou pela boca, aspectos passíveis de interferir nos seus benefícios.

“Uma boa respiração é diafragmática e abdominal. É mais profunda e provoca maiores ações gerais no organismo. Não é tão superficial como a torácica, ligada a padrões de medo, ansiedade e preocupação. Aquece e limpa o ar através dos cílios respiratórios e do íntimo contato com estruturas bem vascularizadas”, explica a especialista.

É possível se reeducar

Embora quase todos sejamos desatentos ou simplesmente indiferentes à importância da respiração, hoje há dezenas de trabalhos científicos que buscam entender a melhor forma de aproveitar os benefícios que uma respiração correta proporciona a pessoas saudáveis ou no tratamento do câncer e de outras doenças. Reaprender a respirar exige, porém, boa vontade, técnica e orientação.

O Dr. Mário Sérgio Rossi Vieira, médico fisiatra e acupunturista do Comitê de Terapias Complementares do Hospital Israelita Albert Einstein, menciona que estudos feitos em Harvard nos anos 70 constataram que o organismo tem a capacidade de atingir um estado de relaxamento físico, mental, emocional e metabólico oposto ao do estresse, denominado “resposta de relaxamento”.

Na busca da respiração correta têm-se desenvolvido vários métodos. Um deles, a terapia de respiração, alia antigas técnicas orientais a novos experimentos. São sequencias de movimentos e ritmos respiratórios que dissolvem tensões na musculatura profunda e reabilitam a respiração.

A terapia classifica 84 ritmos respiratórios capazes de transformar a percepção e restaurar o fluxo vital do corpo.

Ensinamentos milenares como os da ioga e da meditação também adotam a respiração como uma de suas bases. “Através dos tempos, a respiração foi sempre considerada inseparável da nossa saúde, consciência e espírito. Nos pacientes com câncer, ioga e práticas de respiração em conjunto aliviam a fadiga e até mesmo o enjoo, muito comuns durante o tratamento ”, diz Clarice Knapp.

Não precisamos respirar apenas para não morrer. Reconhecer o valor da respiração é aprender a valorizar a própria vida e usufruir de seus benefícios.

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