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A união faz a força contra o mieloma múltiplo

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A utilização do que cada medicamento tem de melhor dá ótimos resultados no tratamento

A utilização do que cada medicamento tem de melhor dá ótimos resultados no tratamento

Por Dr. Jorge Vaz, coordenador de Hematologia do Cettro – Centro de Câncer de Brasília

O mieloma múltiplo é um câncer que afeta a medula óssea e que, infelizmente, ainda é considerado uma doença incurável. Contudo, os grandes avanços nas tecnologias de diagnóstico e tratamentos nos últimos 10 a 20 anos permitiram mais controle da doença, melhoraram a qualidade de vida e prolongaram significativamente a expectativa de vida do paciente, estabelecendo assim um novo conceito: “ é possível conviver bem com o mieloma múltiplo”.

Para entendermos como é realizado o tratamento do mieloma é preciso ter em mente as diferentes classes de medicamentos que são ativos contra essa doença. Para facilitar o entendimento, podemos dividir nossa “farmácia anti-mieloma” em cinco prateleiras:

CORTICOSTEROIDES – Representados principalmente pela Dexametasona, Prednisona e Metilprednisolona;

AGENTES ALQUILANTES (QUIMIOTERÁPICOS) – Melfalano e Ciclofosfamida, que são especialmente úteis para o transplante de medula óssea;

IMUNOMODULADORES – Talidomida e Lenalidomida são os principais representantes dessa classe de drogas de uso oral, extremamente eficazes contra o mieloma;

INIBIDORES DO PROTEASOMA – Bortezomibe e Carfilzomibe, classe de medicamentos muito ativa contra o mieloma, que pode ser empregada em qualquer etapa do tratamento (terapia inicial e nas recidivas);

ANTICORPOS MONOCLONAIS – medicamentos modernos e inteligentes, direcionados especificamente contra a célula tumoral (balas mágicas), Daratumumabe e Elotuzumabe, recentemente incluídos no tratamento.

Ainda que os corticosteroides, os agentes alquilantes e a Talidomida sejam de uso corrente e tradicional, ocorreu no Brasil um atraso de quase dez anos na incorporação de novas tecnologias de tratamento para a doença (o Bortezomibe foi aprovado inicialmente para uso em segunda linha em 2007). Contudo, a aprovação de novos medicamentos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ganhou mais agilidade nos últimos dois anos, permitindo que os pacientes entrassem na vanguarda do tratamento e ganhassem acesso a medicações recentemente disponíveis em países da Europa e nos Estados Unidos, como o Carfilzomibe e os anticorpos monoclonais.

Os tratamentos disponibilizados hoje no Brasil contribuem efetivamente para o bom controle da doença, tanto no sistema de saúde pública quanto no sistema de saúde complementar. Mas não podemos esquecer que, por ser considerado incurável, por mais prolongado que seja o tempo inicial de controle, o mieloma múltiplo pode voltar ao estado ativo, gerando novas manifestações no paciente. Nesses casos é necessário iniciar uma nova linha de tratamento, para a qual ainda há uma lacuna a ser preenchida em breve no Brasil: a Lenalidomida.

 Mas a Lenalidomida vem aí!

Este medicamento está em uso corrente nos EUA e em mais de 70 países há mais de dez anos, e é considerada um avanço entre os imunomoduladores por ser mais potente e gerar menos efeitos colaterais do que a Talidomida. A falta de acesso à droga é considerada hoje a maior diferença entre o tratamento que é oferecido aos pacientes de mieloma múltiplo no Brasil e o tratamento disponível em outros países.

É importante destacar que estamos avançando no processo de aprovação da comercialização da Lenalidomida, alcançando agora a etapa de regulação. Essa classe de medicamentos, vale dizer, precisa contar com um forte perfil de segurança. Dessa forma, concluindo essa importante etapa de regulação no Brasil, temos esperança de que os pacientes de mieloma múltiplo tenham acesso à Lenalidomida ainda em 2017, contando com mais uma importante alternativa de tratamento para a recidiva da doença.

Publicação possuí um comentário
  1. Muito importante toda informação passada. Eu tenho mieloma múltiplo desde 2011.fiz 2 transplante autólogo. Um em 2012 e outro em 2015. Hj estou fazendo desde abril uso de um monoclonal chamado Daratumumabe combinado com Dexametasona,zometa,velcade.Estou entrando para o 7 ciclo.Termino agora em Dezembro o 8 ciclo. Espero que dê tudo certo.Pois acredito muito no tratamento e em Deus. Sempre com pensamentos positivos e muita fé.

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