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Câncer e adolescência: uma dupla explosiva

Imagem Adolescente
Num período de profundas mudanças físicas, mentais e emocionais, a descoberta da doença pode ter o mesmo efeito de um tsunami

Num período de profundas mudanças físicas, mentais e emocionais, a descoberta da doença pode ter o mesmo efeito de um tsunami

“Você tem uma doença. Ela se chama leucemia e é grave” – para qualquer pessoa, não é fácil ouvir essas palavras de um oncologista. Imagine então para um adolescente entre 12 a 16 anos, no auge da transição da infância para a idade adulta.

Sem doenças, essa fase da vida é complicada, pois se caracteriza por diversas alterações em aspectos físicos, mentais e sociais do indivíduo. O jovem passa por um processo que pode distanciá-lo da família e o força a abandonar comportamentos infantis para dar início à aquisição de competências que o capacitem a cumprir os deveres de um adulto. Resumindo, todo o potencial de alguém começa a aparecer claramente na adolescência.

Enfrentar um câncer nesse período da vida é dificílimo. As diferenças começam na tipologia da doença. O câncer do adolescente difere do de um adulto pelo tipo de célula. As doenças mais comuns são os tumores sólidos, principalmente os ósseos, ou em tecidos moles.

“Depois disso temos as leucemias, linfomas e tumores do sistema nervoso central”, afirma Maria Lydia Mello de Andreá, diretora do Serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital Infantil Darcy Vargas. Segunda ela, o câncer da criança tem origem nas células embrionárias, enquanto o do adulto é consequência da multiplicação desordenada de células já adultas. “E o câncer do adolescente, como todo o resto, é um intermediário disso”, afirma.

Um dos principais problemas gerados pelo câncer nessa faixa etária é o sentimento de exclusão, o sentir-se feio: é que, de repente, o jovem passa a não mais se identificar com seus amigos, perde o cabelo e seu rosto se torna diferente. Além disso, a enfermidade pode tirá-lo de seu ambiente: o jovem com câncer frequentemente é obrigado a parar de ir à escola ou de fazer esportes, por exemplo. Durante esse período da vida, existe uma intensa competição entre os indivíduos, e tudo aquilo que torna o adolescente menos competitivo é um agravo.

O tratamento agressivo também pode complicar essa situação. Geralmente, os pacientes ficam inchados pelo uso excessivo de corticoides, a pele se altera e também podem acontecer mutilações, devido a cirurgia.

E, de acordo com a Dra. Maria Lydia, um exemplo perfeito desta carga emocional são as reações adversas causadas pela quimioterapia. Mais especificamente, o vômito. “Com a criança pequena, nós medicamos o estômago antes da sessão de quimioterapia e dificilmente ela passa mal. Com os adolescentes, mesmo utilizando doses maiores de medicamentos contra o mal-estar, eles vomitam. Muitas vezes isso acontece antes mesmo da aplicação da medicação, ou seja, tem a ver com o emocional do paciente”, diz.

Segundo a psico-oncologista Regina Paschoalucci, tudo isso se deve ao medo que esses pacientes têm da gozação, do deboche e da não compreensão por parte dos outros em relação ao que eles estão passando. “As crianças e os adolescentes podem ser cruéis em suas brincadeiras”, diz a psicóloga.

Ela também utiliza a vaidade feminina para exemplificar, já que o cabelo é um acessório de beleza e sensualidade. “Independentemente da idade, para qualquer mulher o fato de perder o cabelo é traumático. Imagine, então, para uma menina que está experimentando um corpo novo”, diz.

Mas existe o outro lado da história: para enfrentar tudo isso perante a sociedade, os jovens acabam sendo criativos. “Já cheguei a ver jovens que enfeitavam as cabeças raspadas com pinturas”, afirma Regina.

Fato é que, mesmo passando por todas as turbulências, o adolescente pode tirar lições e se fortalecer devido ao tratamento. Neste momento, é muito importante aproveitar a vida.

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