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Câncer infantil: ao combate!

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Esse inimigo poderoso atinge 12 mil crianças por ano no Brasil. A boa notícia – os índices de cura já chegam a 80% dos casos

Esse inimigo poderoso atinge 12 mil crianças por ano no Brasil. A boa notícia – os índices de cura já chegam a 80% dos casos

As estatísticas apontam que o câncer é a doença que mais mata crianças e adolescente de 1 a 19 anos no Brasil. No mundo todo, a cada ano 160 mil crianças são diagnosticadas com câncer, sendo cerca de 12 mil desses diagnósticos no Brasil. Mas a boa notícia é que com ações específicas da Saúde os índices de cura já chegam a 80% dos casos no país. Para isso, no entanto, é preciso combinar dois fatores importantes: diagnóstico precoce e tratamento correto. E é no sentido de alcançar essa combinação de sucesso para o maior número de crianças afetadas com a doença que uma ação é fundamental: transmitir todo o conhecimento possível sobre o câncer infantil para a população – o que desejamos fazer com esta reportagem.

Afinal, o que é câncer infantil?

Segundo definição do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Diferentemente do câncer de adulto, o câncer da criança geralmente afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação, enquanto que o do adulto afeta as células que recobrem os diferentes órgãos. Em outras palavras, os cânceres que mais afetam as crianças são os do sangue (leucemia, que afeta os glóbulos brancos), os do sistema linfático (linfoma, que atinge os gânglios) e os do sistema nervoso central (tumores que tem origem no cérebro e medula espinhal). 

Outro dado importante é que na maioria dos casos o câncer nas crianças é mais agressivo e se desenvolve mais rapidamente. Por causa disso, os tumores dificilmente são localizados e o tratamento não pode ser feito com cirurgia, porém responde melhor ao tratamento e é considerado de bom prognóstico. E justamente por apresentar características muito específicas e origens histopatológicas próprias, o câncer infantil deve ser estudado separadamente daqueles que acometem os adultos, principalmente no que diz respeito ao comportamento clínico.

A leucemia é o tipo mais frequente em crianças na maioria dos países (Brasil, inclusive), correspondendo entre 25% e 35% de todos os tipos e sendo a leucemia linfoide aguda (LLA) a de maior ocorrência em crianças de 0 a 14 anos. Os linfomas correspondem ao segundo lugar em número de casos, juntamente com os tumores do SNC, que têm pico na idade de 10 anos.

“Há ainda os tumores de ocorrência exclusiva na infância, como o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal) e o tumor de Wilms (tipo de tumor renal), além de outras formas menos frequentes, como o retinoblastoma (afeta a retina e o fundo do olho), o tumor germinativo (das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), o osteossarcoma (tumor ósseo) e os sarcomas (tumores de partes moles)”, ensina o Dr. Vicente Odone Filho, hematologista do Hospital Albert Einstein e professor titular no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.

Mas como ele aparece?

Sabe-se que no adulto, em muitas situações o surgimento do câncer está associado claramente a fatores ambientais – como  fumo e câncer de pulmão. Nos tumores da infância e adolescência, porém, até o momento não existem evidências científicas que nos permitam observar claramente essa associação. Em geral, pouco se conhece sobre a origem do câncer na infância, principalmente por ser mais raro, o que limita o poder estatístico de alguns estudos. Mas, segundo afirmação do INCA, “as exposições durante a vida intrauterina são um fator de risco mais conhecido na etiologia desse grupo de neoplasias”, o que nos leva a tratar o câncer infantil basicamente como um mal genético.

“O câncer em si na verdade deve ser entendido como uma doença genética, pois todos possuímos os genes denominados  protoconcogenes, com funções normais em grande parte associadas ao crescimento celular. Outro grupo de genes, os supressores, impede que a atividade biológica daqueles supere o limite desejável. E são as mutações ou desparecimento desses genes que podem ocorrer de forma congênita, transformam os protoconcogenes em oncogenes, com possibilidade de desenvolvimento tumoral”, explica Dr. Vicente Odone.

Em resumo, não há uma causa específica para o aparecimento do câncer infantil. Mas há nele a chance de atentar cuidadosamente para os primeiros sintomas, o que pode significar a cura da criança.

Quais são os principais sintomas?

Em primeiro lugar, é preciso dizer que infelizmente muitos pacientes ainda são encaminhados ao centro de tratamento com doenças em estágio avançado, o que se deve a fatores como desconhecimento dos pais, medo do diagnóstico de câncer (podendo levar à negação dos sintomas), desinformação dos médicos. Também contribuem para o atraso na descoberta os problemas de organização da rede de serviços e o acesso desigual às tecnologias diagnósticas. Mas há casos, porém, em que o diagnóstico tardio está relacionado com as características de determinado tipo de tumor, porque a apresentação clínica deles pode não diferir muito de diferentes doenças, muitas delas bastante comuns na infância.

Os principais sintomas são:

  • Infecções constantes
  • Palidez
  • Dores nos ossos
  • Fraqueza
  • Suor noturno
  • Aparição de gânglios aumentados no pescoço, axila e virilha
  • Dores de cabeça e distúrbios de visão
  • Vômitos

Por isso, se perceber alguma mudança física e de comportamento na criança, leve-a ao médico!

Quais são os tratamentos?

A primeira etapa considerada parte do tratamento do câncer é fazer o diagnóstico correto com a doença bem no início. Para isso, é necessário um laboratório confiável e o estudo de imagens. Pela sua complexidade, o tratamento deve ser feito em um centro especializado, ou seja, um hospital que seja referência no tratamento da doença. Além disso, o trabalho coordenado de vários especialistas (oncologistas, pediatras, radioterapeutas, patologistas, radiologistas, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas e farmacêuticos) também é determinante para o sucesso do tratamento.

Considerando o câncer infantil, ele pode ser de três modalidades principais: quimioterapia, cirurgia e radioterapia, sendo aplicado de forma racional e individualizada para cada tumor específico e de acordo com a extensão da doença. Segundo conta o Dr. Vicente Odone, “o tratamento fundamental para o câncer infantil, responsável pelo imenso progresso na área e que hoje, em termos genéricos, permite a cura de pelo menos 70% das crianças acometidas, é a quimioterapia”.

 

Como vive a criança com câncer?

Tão importante quanto o correto tratamento do câncer em si, é a atenção dada aos aspectos sociais da doença, uma vez que a criança doente deve receber cuidado integral, no seu contexto diário. A cura não deve se basear somente na recuperação biológica, mas também no bem-estar e na qualidade de vida do paciente. E aí é que entra a importante participação dos seus pais e familiares trazendo-o para uma situação que seja a mais confortável e amorosa possível.

“Um dos grandes sucessos do moderno tratamento do câncer pediátrico é a possibilidade de a criança, cada vez mais poder ser mantida em seu ambiente, junto à sua família, e desenvolvendo atividades próprias de sua idade, enquanto está sendo tratada. Até porque ela está sendo cuidada para a vida, e não para um momento, e mantê-la dentro de um quadro o mais normal possível será de altíssimo benefício para a cura e também no futuro”, diz o Dr. Vicente.

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