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Fofocas virtuais

  

Imagem Fake News
Entenda porque as informações falsas têm causado preocupação na Saúde

Entenda porque as informações falsas têm causado preocupação na Saúde

Por Tatiane Mota

As fake news (do inglês, notícias falsas) ganharam espaço nos veículos de comunicação, quando as campanhas eleitorais para a presidência dos Estados Unidos foram envolvidas em escândalos e boatos.

Notícias falsas, fofoca e boatos não são exatamente uma novidade. Elas estão presentes na sociedade desde o momento que aprendemos a nos comunicar. Mas com a chegada da Internet, tudo isso ganhou um volume inesperado e até mesmo preocupante.

Para se ter uma noção, de acordo com uma pesquisa feita pela Internet Live Stats, a cada 60 segundos mais de 455 mil tweets são escritos, 46 mil fotos compartilhadas no Instagram, 3 milhões de posts criados no Facebook, 3,6 milhões de pesquisas realizadas no Google e 15 milhões de mensagens trocadas via celular.

Os números são impressionantes! E em meio a toda essa quantidade de informação, nem todas as notícias compartilhadas são verdadeiras.

 

Mas, como identificar uma notícia falsa?

Essa não é uma tarefa fácil. Os responsáveis por criar estes conteúdos sabem exatamente o que irá chamar atenção do público-alvo. Por isso criam títulos chamativos, que anunciam, por exemplo, a cura para o câncer. Também usam no texto fontes e nomes confiáveis para passar ainda mais credibilidade.

E com tantos artifícios, a chance de uma notícia falsa ser compartilhada é 70% maior do que uma informação verdadeira.

“Ao receber um diagnóstico como o do câncer, é normal que a pessoa fique fragilizada e passe a buscar informações que tirem suas angústias. Elas se tornam presas fáceis para estas fake news. Muitas chegam a abandonar o tratamento convencional, e isso é muito perigoso. Nós, médicos, somos duplamente prejudicados. Primeiro, porque ficamos como os ‘malvados’, que destroem sonhos ao dizer que determinada notícia não é verdadeira. E segundo porque o paciente pode passar a não se comunicar, com medo de ter sua esperança abalada”, disse o Dr. Bernardo Garicochea, diretor da Unidade de Oncogenética Centro Paulista de Oncologia/ Grupo Oncoclínicas.

Ainda de acordo com o médico, a conversa entre profissional e paciente é um dos pontos principais para um tratamento de sucesso.

“O especialista precisa estar preparado para atender o paciente e informá-lo sobre tudo o que for necessário. Nesta conversa é fundamental que todas as dúvidas sejam tiradas, inclusive sobre as notícias que saem por aí. A consulta é o momento ideal para isso. Também acredito que as organizações de pacientes, como a Abrale, têm um papel ideal para combater as informações incorretas”, completa.

Procurar a fonte certa 

Tanto para buscar informações, quanto para compartilhá-las com seus amigos, é fundamental checar a fonte em que a notícia está publicada.

É verdade que, como citamos a pouco, hoje os “produtores” de fake news sabem muito bem forjar o conteúdo. Mas, uma coisa eles não conseguem: publicar em sites, jornais e revistas de referência, que possuem profissionais qualificados e que o conteúdo passa por uma curadoria antes de serem divulgados.

É justamente assim que trabalhamos na Abrale. Todos os conteúdos presentes em nossos canais de comunicação (site, revista e redes sociais) são aprovados e co-criados com um comitê médico e multiprofissional.

“Informar e conscientizar é a melhor forma de ajudar. Há 15 anos temos como um de nossos objetivos informar pacientes e familiares sobre as doenças, opções de tratamento, rede de assistência etc. Contamos com o apoio de profissionais de referência na Onco-Hematologia, que nos ajudam a construir estes conteúdos. Muito triste pensar que existem pessoas que desperdiçam seu tempo produzindo e compartilhando notícias falsas, que podem prejudicar a saúde de alguém. Isto é muito grave e deve ser combatido ferozmente, inclusive com a criação de novas leis”, diz Merula Steagall, presidente da Abrale.

Por de trás da informação

Muitos pacientes tornam-se comunicadores, com o objetivo de dividir suas experiências com outras pessoas que também estejam enfrentando um câncer. E essa experiência é vista com bons olhos, desde que também siga a mesma linha de cuidados dos profissionais da área de comunicação.

As comunidades no Facebook ganharam importante espaço e ali muitos se sentem seguros tanto para expor suas dúvidas, quanto também para disseminar o que conhecem. E para que as informações sejam difundidas corretamente, alguns moderadores ficam responsáveis por filtrar o conteúdo.

Este é um dos papeis de Ana Paula Custódio, moderadora da página Linfoma de Hodgkin Brasil.

“Passei a fazer parte deste mundo quando meu filho, Lucas, descobriu um linfoma. Hoje temos quase 7 mil membros. Crescemos muito desde o surgimento, mas procuro acompanhar de perto todas as postagens. Ao longo deste tempo já percebi que as informações sobre a ‘cura do câncer’ têm épocas diferentes. Já tivemos a época da graviola, do limão, do açúcar, da fosfoetanolamina. Tenho cuidado com o que o público escreve e se achar necessário, excluo a postagem e a pessoa. Pode até ser uma atitude radical, mas é melhor assim”, conta.

Lucas Campos, paciente de leucemia mieloide crônica também dá atenção especial aos conteúdos disseminados pelos membros de sua página, a Vivendo com LMC.

“Muitas vezes, postam notícias que considero duvidosas, por não terem nenhuma confirmação científica ou fonte concreta. Quando isso acontece, alertamos para os perigos e apagamos o post. Hoje, também selecionamos quem entra no grupo, justamente para saber se há boa intenção. Acho que o primeiro passo é sempre, antes de compartilhar, checar a notícia. Não é porque um parente ou amigo compartilhou, que o conteúdo é verdadeiro. Também é preciso ter extremo cuidado com promessas de ganhos fáceis”, fala Lucas.

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