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De bem com o espelho

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Cuidados de beleza podem ajudar na recuperação da autoestima e qualidade de vida durante o tratamento do câncer

Cuidados de beleza podem ajudar na recuperação da autoestima e qualidade de vida durante o tratamento do câncer

Por Tatiane Mota

Do latim Bellitas, beleza significa “estado de ser belo”. Essa definição realmente faz jus à palavra, afinal, embora muitos a associem apenas com aparência física, a verdade é que há beleza nos diferentes momentos e sentimentos que vivenciamos e experimentamos diariamente.

E quando se fala em câncer, não é diferente. O diagnóstico e tratamento não são fáceis, mas conseguir vencer estas adversidades sem sombra de dúvidas é muito belo.

De acordo com a psicóloga Karen Bisconcini, especialista em cuidados paliativos, quando uma parte do corpo é abalada, em alguma medida todas as outras são. Mas com o apoio necessário, é possível superar.

“O câncer traz mudanças importantes no modo de viver, e algumas delas estão completamente ligadas às mudanças físicas. E é até esperado que isso ocorra. Eu diria que é até saudável. O que não se pode perder de vista é como esse processo é conduzido. É importante ter um espaço para o sofrimento – chorar, se entristecer e até mesmo se isolar. Mas também é importante, com o auxílio da família e de profissionais especializados, encontrar novas maneiras de olhar para o próprio corpo, sua história, as cicatrizes, a queda de cabelos e demais intercorrências”, disse.

E como bem falado pela psicóloga Karen, não são poucas as intercorrências físicas que o tratamento com quimioterapia e radioterapia causam no corpo. Além da queda dos cabelos, que é um dos efeitos colaterais mais conhecidos por todos, existem outras alterações físicas que podem influenciar no impacto social e até mesmo no bem-estar do paciente. São elas:

  • Emagrecimento excessivo, já que o paciente não consegue se alimentar corretamente devido às fortes náuseas que sente.
  • Inchaço e retenção de líquido, causados pelo uso dos corticoides e outros medicamentos, que chegam a aumentar em mais de 10kg o peso da pessoa em tratamento.
  • Ressecamento e até alteração na cor da pele.
  • Mudança na coloração e enfraquecimento das unhas.
  • Queda de cílios e sobrancelha.

Mas mudar essa situação é possível. Veja aqui algumas dicas que irão te ajudar a enfrentar este momento com muito mais força e, claro, beleza!

Vá de peruca ou de lenço!

A queda dos cabelos acontece porque, além das células malignas, as células saudáveis também são atingidas, em especial as que se multiplicam com mais rapidez, como os folículos pilosos, responsáveis pelo crescimento dos fios.

Para muitas mulheres, ficar careca ainda é um grande tabu, pois passam a não se sentirem tão bonitas. E é neste momento que as perucas entram em ação. Com os diferentes modelos de cortes e coloração, é possível ousar ou até mesmo encontrar algum modelo muito parecido com o cabelo de antes do tratamento.

E usá-las é fácil: ao encaixar a peruca na cabeça, cuidado para não embaraçar os fios. Prenda os ajustes (na parte de baixo da peruca, tem um elástico de cada lado) para que fique firme e confortável.

Para lavar, coloque xampu e água em uma bacia, e mergulhe a peruca. Mexa delicadamente, sem deixar de molho e sempre com cuidado para não embaraçar. Feito isso, em uma outra bacia, coloque água e condicionador, e enxague. Deixe secar na sombra (se a peruca for de cabelo sintético, cuidado ao coloca-la em contato com o calor do secador, chapinha ou babyliss).

Quando não estiver usando, coloque a peruca na redinha de proteção (vem junto com a peruca) e depois guarde em um saco plástico ou caixa.

Se você ainda não tem uma peruca, ou quer adquirir um novo modelo, entre em contato com a Cabelegria, ong especializada neste ramo. www.cabelegria.org

Os lenços também são ótimas opções para esconder a carequinha. São diversos os tipos encontrados no mercado, com diferentes cores e figuras. Basta escolher o que combina melhor com o look do dia e pronto. Na Página da Abrale no Facebook, fizemos um vídeo que ensina algumas amarrações diferentes. Assiste lá!

Cuidados com a pele

De acordo com a Dra. Dolores Gonzales Fabra, dermatologista especializada em Oncologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Coordenadora de Ambulatório na Faculdade de Medicina do ABC, a pele é um dos órgãos que mais apresentam alterações durante o tratamento do câncer.

“Uma série de alterações acontecem, e o paciente pode apresentar alergias, micoses e infecções, devido à queda de imunidade causada pela quimioterapia. Já os tratamentos imunológicos causam um excesso de imunidade na pele, causando reações complicadas, como ressecamento bem forte. Embora a radioterapia tenha evoluído bastante, ainda há pacientes que apresentam quadros de radiotermite, ou seja, inflamações na área em que a radio foi aplicada e, em alguns casos, até queimaduras, o que deixa a pele muito sensível”, diz.

Mas de acordo com a especialista, com cuidados simples é possível tratar estes efeitos, e até mesmo amenizá-los:

  • O banho tem que ser rápido, com água morna e sabonete neutro, de preferência o de uso infantil.
  • Toalhas ásperas não são aconselhadas, pois podem machucar a pele. Opte por toalhas macias e de algodão. Idem para as roupas.
  • Usar hidratante em todo o corpo é muito importante, mas opte pelos cremes neutros, sem álcool e cheiro.
  • O filtro solar deve ser aplicado diariamente, em especial nas regiões que ficam mais expostas, como mãos, rosto e pescoço.
  • A exposição ao sol é importante. Os raios emitidos são essenciais para a produção e absorção da vitamina D, responsável pela incorporação do cálcio na estrutura dos ossos, além de diminuírem a incidência de depressão. Mas existem os horários específicos para isso – entre cinco a dez minutos, sempre evitando o período entre 10 e 16 horas e sem esquecer do filtro solar.

Maquiagens e seus truques

Para as mulheres, o tratamento do câncer pode oferecer alguns desafios extras. Sempre muito vaidosas, grande parte do público feminino é adepto às maquiagens e diversos produtos são utilizados diariamente para esconder imperfeições e realçar a beleza. 

Como vimos, algumas terapias utilizadas podem causar a perda dos cílios e sobrancelhas e até mesmo promover mudanças na coloração da pele (escurecimento ou palidez).

É fato que no mercado existem diversas opções de maquiagens, mas segundo a Dra. Dolores Gonzales Fabra, é ideal utilizar as hipoalergênicas.

Base

Aplicada antes das outras maquiagens, sua função é uniformizar a pele. Mas devido à quimioterapia ou radioterapia, é possível que a pele fique ressecada e sensível, por isso escolha uma base para peles secas e na cor de sua pele normal (ainda que o tom tenha mudado), para dar uma aparência saudável.

Corretivo

Utilizado para esconder imperfeições, como olheiras e manchas, a melhor opção é a cremosa, para que não realce a descamação da pele seca.

Seja ele solto ou compacto, enquanto a pele estiver muito ressecada este produto deve ser deixado de lado. Ele tende a realçar o ressecamento, dando um efeito craquelado.

Blush

Caso se sinta muito pálida, ele pode ser um grande aliado. São diversos os tons existentes, incluindo com “efeito bronzeado”, então escolha o mais adequado para o seu tom de pele e dê preferência para os blushes em creme ou em bastão.

Lápis

Eles têm papel fundamental para redesenhar as sobrancelhas. Não esqueça de sempre combinar o tom da sobrancelha com a cor do seu cabelo natural ou da peruca que estiver utilizando. A maquiagem definitiva, feita por meio de microagulhamento, não é recomendada, já que com a baixa imunidade a paciente fica mais propensa às infecções.

Cílios

É possível utilizar rímel para dar volume ou até mesmo cílios postiços, caso os tenha perdido devido ao tratamento. Você pode encontrá-los em lojas específicas de cosméticos ou até mesmo pedir ajudar profissional para sua aplicação.

Sombras

São diversos os tons existentes, mas lembre-se de utilizar as sombras cremosas, melhor indicadas para peles secas e sensíveis.

Batom

Tome bastante água e mantenha os lábios sempre hidratados para evitar rachaduras e descamação. Escolha os batons cremosos e evite os de longa duração, que podem evidenciar o ressecamento.

Cuidados com as unhas

Composta principalmente por queratina, a unha tem como função principal proteger as extremidades dos dedos das mãos e dos pés, e para algumas mulheres, elas também servem como objeto de decoração.

São diversas as cores de esmaltes existentes e é cada vez mais comum encontrarmos serviços de manicure. Mas, segundo a Dra. Dolores, durante o tratamento do câncer, tirar as cutículas não é indicado.

“Além do risco de sangramentos (caso a paciente esteja com o número de plaquetas bem baixo), também há possibilidade de infecções, já que a imunidade nesta fase fica bem debilitada. Mas, se decidir realizar o procedimento, opte por fazer com seu próprio kit (alicate, lixas, esmaltes…)”, explica a dermatologista.

Evitar os esmaltes escuros também é aconselhado, pois eles podem mascarar alguns sintomas que devem ser acompanhados – como escurecimento das unhas ou sua fragilidade (ficam quebradiças), características comuns nas pessoas que estão em tratamento com quimioterapia ou no pós-TMO. Para retirar o esmalte, opte por removedores sem acetona.

Unhas postiças não são adequadas durante o tratamento. A cola para sua aplicação e os produtos utilizados para removê-las podem danificar ainda mais as unhas.

Meu novo cabelo

Entenda porque após a quimio, alguns pacientes apresentam mudanças na estrutura dos fios

Ao final dos ciclos de quimioterapia, as células voltam a trabalhar normalmente e em cerca de 2 a 3 meses os cabelos passam a crescer novamente. Neste período, é possível que algumas pessoas passem a apresentar algumas mudanças na textura dos fios e até mesmo na coloração – em uma pessoa que sempre teve cabelos lisos, podem nascer cabelos cacheados ou vice e versa, e alguns podem passar a ter fios brancos.

Essa mudança ocorre por conta da diminuição da espessura da fibra capilar e da alta variação na espessura dos fios no couro cabeludo do indivíduo que realiza o tratamento.

Em cerca de 1 ano, a maior parte das pessoas volta a ter o cabelo completamente normal. E para agilizar o crescimento e deixar as madeixas fortes e nutridas, veja algumas alternativas:

Comer bem – Uma alimentação saudável irá fornecer todos os nutrientes e vitaminas necessários não só para ajudar no crescimento do cabelo, mas também para acelerar a recuperação do organismo após a quimioterapia. Por isso, deve-se comer frutas, verduras, alimentos integrais, azeite e grãos como linhaça e chia, além de evitar o consumo de alimentos ricos em gordura. Beber bastante água também é importante para manter a hidratação da pele e do couro cabeludo.

Sem produtos químicos – O uso de produtos químicos pode ferir o couro cabeludo e enfraquecer a estrutura dos fios novos, por isso evite pintar o cabelo ou usar produtos de alisamento enquanto o cabelo ainda estiver muito fino e quebradiço.

Menos estresse – A irritação prejudica o bom funcionamento do corpo e pode causar queda de cabelo. Procure praticar exercícios físicos ou atividades como ioga e pilates. Procurar um psicólogo para falar sobre suas emoções também pode ser importante.

Massagear a região – Durante a lavagem, faça uma boa massagem em todo o couro cabeludo com as pontas dos dedos porque isto aumenta a circulação sanguínea local, favorecendo o crescimento dos cabelos. Lavar os cabelos todos os dias não é necessário, mas penteá-los sim, pois também melhora a circulação sanguínea no local.

Cabelos molhados – Os fios ficam mais sensíveis e, portanto, mais sujeitos à quebra. Procure escová-los das pontas para cima, para não espalhar nós, não os prensa para dormir e nem durma enquanto não estiverem em sequinhos, para evitar a proliferação de fungos no couro cabeludo e possíveis quedas.

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