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TMO – de pais, para filho

  

Imagem Pais Filhos
TMO com familiares 50% compatíveis pode ser uma boa opção para escapar da longa espera por um doador

Procedimento com familiares 50% compatíveis pode ser uma boa opção para escapar da longa espera por um doador

Esperar para encontrar um doador de medula óssea que seja 100% compatível é uma das angústias mais comuns aos pacientes de cânceres do sangue que necessitam de um transplante para alcançar a cura. Fazer testes de compatibilidade com quase todos os parentes, iniciar a busca por doadores do Redome (Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea), divulgar campanha na internet e, dependendo dos resultados, enfrentar uma espera que pode levar meses, até anos. Esse é o procedimento padrão para essas pessoas, que sofrem durante o período com a necessidade de correr contra o tempo e passar logo pelo transplante que pode salvar vidas. Mas há uma outra opção, menos difícil e que cada vez mais se mostra viável em diversos casos: o transplante haploidêntico.

“Ele consiste em um transplante no qual o doador e receptor apresentam 50% de compatibilidade, o que geralmente ocorre entre pais e filhos”, explica a Dra. Lucia Silla, presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea. A vantagem principal do procedimento é que as chances de ser realizado em curto prazo são muito maiores.

Ele já era feito, mas tinha alto risco de rejeição

Essa modalidade de transplante é realizada desde a década de 1990 e, inicialmente, só era possível quando a medula a ser transplantada, que contém também glóbulos brancos maduros, era “limpa” destes, se purificando antes de ser doada. “Esse procedimento, caro e trabalhoso, era feito para evitar a ocorrência de uma rejeição aguda, grave, com alta taxa de mortalidade do paciente, conhecida como DECH (Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro)”, conta a médica.

Agora, droga ajuda na aceitação do transplante

A reviravolta aconteceu recentemente, quando foi descrita uma técnica diferente, na qual, após o transplante, o paciente recebe doses elevadas de ciclofosfamida, uma droga que, quando injetada, é convertida em formas ativas que têm atividade quimioterápica. “A partir disso, conseguiu-se realizar o transplante haploidêntico sem um risco significativo de haver a DECH, ou, nos casos em que ela ocorre, é de forma bem mais leve, com baixa mortalidade”.

Como a compatibilidade é menor, a chance de cura total também é

Comparado com o transplante em que a compatibilidade entre os doadores é de 100%, o haploidêntico tem menos chance de cura total da doença, mas ele é uma excelente opção aos que não podem aguardar muito tempo por um TMO. “Além disso, quando comparado ao transplante de sangue do cordão umbilical (outra técnica que evita a longa espera por um doador), ele é menos agressivo, sua aceitação é mais eficiente e as chances de DECH também são menores”, afirma a Dra. Lucia.

O tratamento novo ainda não revela se há recidiva da doença

“Como é um procedimento recente, temos de esperar a experiência mundial ficar robusta o suficiente para falar sobre recidiva do câncer. Há relatos de que a taxa de recidiva das doenças malignas seja maior após esse tipo de transplante, mas isso ainda não está confirmado”, conta a médica, que faz questão de lembrar que em qualquer modalidade de TMO, independentemente da compatibilidade ou da técnica usada, há chances de a doença voltar. “Portanto, o importante é definir qual a modalidade melhor para cada paciente, a depender da gravidade da doença, do tempo que se pode esperar e da técnica que será mais efetiva para aquele caso”.

O procedimento

Vale destacar ainda que, em relação ao doador e aos processos pré e pós-operatório, não há diferença entre o TMO haploidêntico e o alogênico (quando o doador é 100% compatível).

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