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Está na hora de tomar água!

  

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Além de exercer um papel fundamental no corpo, a água também é capaz de reduzir os efeitos colaterais do tratamento do câncer

Além de exercer um papel fundamental no corpo, a água também é capaz de reduzir os efeitos colaterais do tratamento do câncer

Por Natália Mancini

Água, comida e oxigênio: esses sãos os três elementos com os quais o ser humano não consegue viver sem. Cerca de 65% do nosso corpo é composto por água. Ela possui um papel fundamental no funcionamento de nosso organismo e pode fazer toda a diferença durante a terapia contra o câncer.

Célia Mara Garcia, nutricionista e membro do Comitê de Nutrição da Abrale, alerta que estar com sede é um aviso. “Quando o organismo sente sede é um grande sinal de que é preciso se hidratar muito mais e que a pessoa está ingerindo pouca quantidade de água”.

Ela explica que a água é utilizada na manutenção das funções básicas do organismo e também ajuda na produção de saliva, do suco gástrico e pancreático, da bile, do plasma sanguíneo e da linfa (líquido que circula nos vasos linfáticos e transporta os glóbulos brancos).

Além de também ser um importante soluto, pois ajuda a diluir as toxinas do organismo, transportando-as até os rins para a sua eliminação. “Eu recomendo que a pessoa tome água várias vezes ao dia. Quatro copos pela manhã, quatro copos durante a tarde e mais quatro durante a noite, porque tomar muito de uma única vez pode sobrecarregar o corpo”, explica Célia.

Mais água, por favor!

Se, normalmente, a água já tem uma importância grande, para os pacientes que estão em tratamento de câncer ela se torna ainda mais essencial.

Marco Suman, engenheiro, 54 anos, foi diagnosticado com leucemia linfoide crônica (LLC) do tipo B em 2016. A dificuldade na sua trajetória já estava presente desde o começo, pois demoraram cerca de dois anos para dar um diagnóstico preciso.

Antes mesmo do início do tratamento, ele já pesava 50kg. Estava com o corpo debilitado e repleto de feridas e ínguas. E após iniciado o tratamento, a situação do engenheiro só complicou.

Assim como outras pessoas que são submetidas à quimio e à radioterapia, Marco perdeu parte do paladar e, no seu caso em especial, perdeu também o olfato. Mas isso não o desanimou. Em uma entrevista dada para a Abrale, o engenheiro contou que é uma pessoa obstinada e que essa característica o ajudou muito.

“Segui com muita determinação as indicações do médico”, disse ele com 80kg e orgulhoso por poder compartilhar sua história. “Hoje estou bem, nunca mais vomitei e recuperei meu paladar e olfato. Devo isso a uma orientação do médico logo após o diagnóstico: ‘tomar muita água e se alimentar’”.

A nutricionista Célia explica que isso acontece porque, durante o tratamento, as papilas gustativas da

língua ficam com as suas funções diminuídas e a produção de saliva também fica menor. “Quanto mais água a pessoa conseguir ingerir, melhor vai ser a recuperação e a reativação da função das papilas”, afirma.

Célia ainda diz que o ideal seria tomar 2L de água por dia, mas pode acontecer de o paciente não conseguir. Nesse caso, ela recomenda que seja ingerido pelo menos 1,5L.

“Ela pode ser ingerida um pouco mais morna, pois fica mais fácil de degustar, e também na forma de chás como o de camomila e erva doce. Os chás são muito bons para ajudar com os enjoos que os medicamentos podem causar”, explica ela.

Atenção para os chás verdes! Eles devem ser evitados, pois podem interferir na eficiência do medicamento que o paciente está tomando.

Outras opções são frutas como a melancia, melão e a lima da pérsia, além da água de coco batida com frutas vermelhas, que ajuda na imunidade. Os sucos verdes também são recomendados pela nutricionista, pois têm uma ação não só de desintoxicação, mas também de nutrição e recuperação do tubo digestivo.

Ela só ressalta que “as verduras usadas nos sucos verdes devem ser muito bem higienizadas, de preferência deixadas de molho com um pouco de produto e depois muito bem lavada. Depois de pronto, o suco deve ser coado para não dar muito trabalho para o tubo digestivo e facilitar a digestão”.

Para Marco Suma, é preciso ser insistente. “Trabalhar a mente, ter a consciência de que é uma situação passageira e viver um minuto de cada vez. Comia porque sabia que precisava comer para conseguir me manter forte e sobreviver, mesmo sem cheiro ou gosto, e vomitando várias vezes por dia. Pensei em desistir algumas vezes, mas a cada intervalo entre refeições refletia e voltava a me concentrar em meu objetivo. Hoje não me arrependo. Não estaria dando este depoimento se tivesse d

eixado de comer e beber água”.

Terapia da água

Célia conta que recomenda a todos os seus pacientes a tomarem até 300 ml de água, natural ou morna, em jejum pela manhã. Esse hábito ativa a eliminação e a limpeza de todo o organismo.

“Eu não posso dizer que essa forma de terapia vai curar o câncer, mas sem dúvida vai auxiliar o organismo a expulsar uma quantidade de substâncias tóxicas que o corpo ativou durante a noite ”, explica ela.

Ela finaliza dizendo acreditar muito que a cura está na soma de todas as terapias. “Numa boa alimentação, no tratamento que o médico recomenda, na conduta do paciente, na fé e na capacidade do corpo de autorregulação”.

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