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Eu amo meu pet!

  

Imagem Cachorro
Conviver com animais durante o tratamento do câncer pode trazer ao paciente conforto, segurança, bem-estar e força

Conviver com animais durante o tratamento do câncer pode trazer ao paciente conforto, segurança, bem-estar e força

 A vivência entre seres humanos e animais é bem mais antiga do que pensamos…

Por volta de 3 mil a.C., o homem passou a cultivar a terra e a viver da criação de bois e galinhas, por exemplo. O vínculo entre esses seres se transformou, então, de caça-predador para o de dependência, e até mesmo proteção (quando o homem se aproxima de lobos, cavalos e ovelhas, por exemplo).

Com o passar dos milhares de anos, essa relação evoluiu tanto que hoje nós enxergamos nos animais de estimação (e até me arrisco a dizer, em todos os bichos) uma extensão de nossas famílias, com o mesmo amor puro e confiança.

E como prova disso estão os resultados de uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, em parceria com o Centro de Pesquisa Waltham e o professor doutor Ricardo Dicas, da Faculdade de Medicina Veterinária da USP: os pets representam uma parte essencial da sociedade e fornecem um apoio valioso em facilitar a interação humana e os contatos sociais, além de proporcionar companhia.

Outros pontos importantes apontados no estudo foram que pessoas que possuem animais de estimação têm respostas fisiológicas mais saudáveis ao estresse, à frequência cardíaca e pressão sanguínea de base mais baixas, e também apresentam altos picos de oxitocina (hormônio responsável pelo desenvolvimento da empatia), ao interagirem com um pet.

Mas você deve estar se perguntando: e no tratamento oncológico, os animais também podem ajudar? E a resposta é SIM.

“Nós somos seres únicos, singulares, totais e muito complexos. Nesse sentido, corpo e mente são um só e estão em constante interdependência. Se considerarmos que para esses pacientes estar junto do seu bichinho os proporciona sensações de segurança, bem-estar e conforto, por exemplo, o corpo irá manifestar reações semelhantes: relaxamento do tônus muscular, regularização do ritmo cardíaco e pressão sanguínea, alívio da dor, entre outros. Além disso, devemos lembrar que os animais vêm auxiliando na nossa recuperação física e mental pelo menos desde o século IV a.C., quando utilizávamos o cavalo para tratamento de insônia, epilepsia, casos de paralisia e melhora de tônus muscular”, explica a psicóloga Ariadne L. Possibom.

Porém, em períodos de internação hospitalar ou até mesmo por restrições, devido à baixa imunidade, por exemplo, é possível que o médico peça para que o paciente fique longe de animais. E neste momento será necessário saber lidar com esta nova situação.

“Essa relação será incrível quando for saudável, ou seja, equilibrada. Sim, confiamos, amamos, protegemos e dependemos tanto física quanto psíquica e emocionalmente dos nossos bichinhos de estimação. Mas isso só não acarretará prejuízos a nós e nem aos nossos animaizinhos, se não deixarmos de atender as nossas próprias demandas ou as do mundo, como o tratamento oncológico, por exemplo”, diz Ariadne.

Terapias Assistidas por Animais

O objetivo é inserir o animal na vida de pacientes em tratamento para que ele se torne parte do processo de cura e melhora dos quadros de saúde dos assistidos. O animal não precisa ser de uma espécie ou raça específica (embora o uso de cães seja o mais comum), mas devem passar por uma avaliação de comportamento e controle de saúde.

“Atualmente a importância do bicho de estimação para a recuperação física, mental e emocional do paciente tem sido bastante reconhecida no cenário da saúde. Apesar dessa importância ainda carecer de maior difusão, alguns hospitais permitem a presença de objetos relacionados ao bichinho no quarto dos pacientes, como fotos e coleira, e podem até mesmo permitir visitas eventuais dos seus bichinhos. Sugiro que o paciente e seus familiares conversem com o médico responsável pelo caso, bem como com o Centro de Controle de Infecções Hospitalares da instituição, solicitando essas possibilidades. Também existem ongs especializadas neste serviço e que com certeza poderão ajudar durante o processo”, comenta a psicóloga Ariadne.

 Depoimento

“A Lolita foi o meu maior presente”

 Vanessa Nilo é paciente de linfoma de Hodgkin e viu sua vida transformada com a chegada de sua cachorrinha

“Descobri que tinha um câncer bem no dia do meu aniversário, 8 de agosto de 2012. Me lembro da sensação de medo, ansiedade, questionamentos, tristeza. Mal sabia que iria viver dias longos de lutas e batalhas, mas de superação também. 

Antes do diagnóstico do LH, eu tinha uma vida agitada. Trabalhava na área de saúde indígena, e chegava a ficar em aldeias um mês inteirinho. Mas após descobrir o linfoma, minha rotina passou a ser casa e hospital. Fiquei muito sedentária. Mas foi em agosto de 2016 que tudo mudou!

Estava em remissão parcial da doença quando a Lolita, minha cachorrinha da raça ShihTzu, chegou para tornar os meus dias bem melhores. Com ela, sinto que passei a ter o que pensar e até mesmo criei forças para tornar o meu dia a dia diferente. Por exemplo, os passeios diários me tiraram do sedentarismo e hoje também não passo mais o tempo todo deitada, sem vontade de fazer as coisas. Ela não deixa! A todo momento quer brincar, quer carinho, atenção. E quer saber? Eu amo dar tudo isso para ela. A Lolita é como uma filha para mim.

Ter uma cachorrinha também me fez conhecer pessoas e criar novas amizades. Hoje, participo de um grupo no WhatsApp e sempre marcamos encontrinhos mensais.

Atualmente, espero a resposta do meu plano de saúde para realizar um transplante de medula óssea autólogo. Mas de uma coisa eu tenho certeza: Lolita foi o melhor presente que ganhei em meio essas tribulações”.

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