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“Fala que eu te escuto”

  

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Na relação com o médico, em qualquer etapa do tratamento, um dos pontos mais importantes para o paciente é ser ouvido

Na relação com o médico, em qualquer etapa do tratamento, um dos pontos mais importantes para o paciente é ser ouvido

Você, paciente, pergunta para o seu médico tudo o que tem vontade de saber? Mais que isso, quando está se sentindo mal, seja física ou emocionalmente, desabafa com ele? Se sim, responda: ele ouve você? Presta atenção ao que você diz, recebe bem todas as suas perguntas e faz de tudo para que seus questionamentos sejam sanados? Saiba que se fazer ouvir é um direito de todo paciente, assim como é dever de todo médico escutar o que o paciente tem a dizer.

Se o paciente se sentir lesionado, ele poderá representar o médico perante o Conselho de Medicina e acioná-lo judicialmente, podendo requerer uma indenização por danos morais. Dependendo da gravidade do caso, o médico ainda poderá responder a uma ação criminal.

Mais do que direito e dever, esse processo é importante para construir uma boa relação médico-paciente e, consequentemente, contribuir para que o tratamento seja bem-sucedido. “Todo paciente se encontra em um estado de desemparo, muitas vezes sozinho, e o médico é uma espécie de âncora, de salvação”, afirma a psicóloga Elisa Campos. Que continua: “Só o ‘falar’ já ajuda o próprio paciente, diminuindo a angústia. E, quando ele é atenciosamente escutado, influencia positivamente na forma como a doença se desenvolve e na forma de enfrentamento que o paciente terá com ela.”

EM CADA ETAPA HÁ UMA DÚVIDA A SER ESCLARECIDA

E isso vale para todas as etapas do tratamento, desde o diagnóstico até as consultas de retorno após o encerramento, apenas para acompanhamento. “Em geral, o paciente sempre faz perguntas, mas são diferentes. A fase de maior angústia é a do diagnóstico. Muitos querem saber exatamente o que têm, querem tirar dúvidas, querem detalhes”, explica a Dra. Elisa. Já durante os tratamentos, as conversas giram mais em torno do “até quando” vão durar os procedimentos e, após o encerramento, as dúvidas se voltam mais para saber como retomar a vida de antes.

Vale dizer que, mesmo quando o paciente é mais tímido e quieto, esse processo pode ser importante e deve ser conduzido pelo médico. “Fazer perguntas é uma boa forma de incentivar o paciente a falar, sempre com muito tato. E as questões devem estar subordinadas ao que o paciente pode estar querendo dizer naquele momento do tratamento ou ao que o médico precisa saber dele”.

NÃO OUVIR É NÃO TRATAR

“Muitas vezes o médico não acha necessário informar o paciente, ou não sabe da importância disso, ou nem mesmo recebeu esse ensinamento ao longo de sua formação. Mas, por ser parte importante do tratamento, o diálogo deve ser aberto, ainda que essa demanda venha do paciente”, diz a Dra. Elisa.

Em outras palavras, se você não tem se sentido ouvido, converse com o seu médico, diga que sabe que isso vai ajudá-lo no tratamento e, principalmente, não tenha vergonha de perguntar! “O paciente sentindo-se bem, acolhido e confiante, reage de maneira positiva. E isso é o que ambos, paciente e médico querem”.

Aos profissionais, a Dra. Elisa aconselha que a melhor forma de se preparar para fazer essa escuta atenciosa e afetiva é estando sempre informados sobre a importância dessa relação médico-paciente e se colocando à disposição sempre. Aos pacientes, especialmente os que não se sentem tão à vontade para falar, a dica é: “Se você sentir mais liberdade para se dirigir a algum profissional de saúde que não seja o médico, procure por alguém da equipe – enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas etc. Certamente eles poderão ajudar, e isso será mais eficaz do que guardar as perguntas e angústias apenas com você”.

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