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Família, o porto seguro

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Apoio e ombro amigo de pais, filhos, cônjuge e irmãos colaboram para maior eficácia do tratamento de câncer

Apoio e ombro amigo de pais, filhos, cônjuge e irmãos colaboram para maior eficácia do tratamento de câncer

Por João Guimarães

Receber um diagnóstico de câncer é sempre um choque. Para o paciente e para todos aqueles que o amam e vivem a seu lado. De acordo com a psicóloga Cristiane Ferraz Prade, da Casa do Cuidar, em São Paulo, e membro do Comitê de Psicologia da Abrale, quanto mais íntimo o contato e a relação entre os envolvidos, maior e mais intensa será a resposta emocional diante da notícia. “Entre outras, as reações que os familiares mais próximos apresentam quando sabem que um ente querido está com uma doença grave são de choque, negação, raiva e lamentação”, explica.

O comportamento das pessoas perante a descoberta de que um parente tem câncer varia segundo diversos fatores, mas o primeiro deles diz respeito ao tipo de vínculo e à relação entre o familiar e o paciente. Claro que o diagnóstico da doença de um filho provocará uma consternação maior e mais aguda que a notícia da enfermidade de um primo em segundo grau que vive distante.

Para Luiz Gonzaga Leite, chefe do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula, de São Paulo, essa reação dependerá também do papel que o paciente exerce no núcleo familiar. “Há famílias nas quais é o provedor financeiro ou emocional, com importante papel na manutenção dos laços que unem o grupo, quem recebe o diagnóstico da doença. Nesses casos, o choque pode ser ainda maior”.

Em geral, na mente dos familiares surgem inúmeras perguntas que, quando não são convenientemente respondidas, acabam por deixá-los confusos sobre como proceder. Posso acompanhar o paciente na consulta? É permitido falar sobre a doença? E sobre episódios tristes e difíceis? É recomendável encorajar o paciente a buscar apenas pensamentos positivos? Esses são alguns dos questionamentos.

“Entendemos que a sensação de confusão e desorganização interna dos mais próximos aconteça como uma reação à notícia da doença. Mas ela deve pouco a pouco ceder e dar espaço a um processo de reorganização interior e ao surgimento de recursos de enfrentamento”, argumenta a psicóloga Cristiane.

É muito importante também que o paciente sinta que seus pensamentos não são ruins por se relacionarem a um momento de dor. Como seus familiares, eles também devem olhar o problema de frente. “E poder desabafar é de grande valia, não havendo prejuízo para o conceito de manter o pensamento positivo”, continua Cristiane. “Pensar positivo não pode ser uma prisão”.

Não há uma receita pronta que defina como a família deve agir na ocorrência de uma doença grave de um de seus membros. Mas há formas de enfrentar os problemas, proporcionando maior harmonia familiar. “Falar claramente sobre a doença é algo que tende a fortalecer os envolvidos”, diz Cristiane. Segundo ela, à medida que o “monstro do câncer” for sendo revelado, discutido e explorado, ele enfraquece. “É importante saber como abordar o tema de forma que o paciente se sinta protegido e fortalecido ao compartilhar sentimentos, e não o contrário. Com um acompanhamento assim, o paciente ficará emocionalmente mais forte”, explica.

Paralelamente, o paciente enfrenta uma verdadeira maratona de consultas médicas, exames, internações e sessões de quimioterapia ou radioterapia. Essa nova rotina, os diversos procedimentos e seus efeitos colaterais acabam por alterar a autoimagem e influem na autoestima. Infelizmente, determinadas reações como queda de cabelo, baixa imunidade, mucosite e perda de apetite ainda são comuns em boa parte dos tratamentos. Nesses momentos, o suporte da família é tão importante quanto o apoio psicológico.

De acordo com o Dr. Luiz Gonzaga, o termo mais adequado para esse suporte familiar é “rede de apoio”. E para que essas redes se efetivem, a informação mostra-se fundamental. Por isso, semanalmente ele realiza no Hospital Santa Paula encontros com familiares de pacientes. “Nós os recebemos e passamos informações sobre como lidar com o paciente”, conta.

Dr. Gonzaga ainda explica que, em muitos casos, a família colabora para a destruição de certos mecanismos psicológicos de defesa, como o da negação – quando um paciente se recusa a aceitar que está com câncer e a se submeter ao tratamento.

“A equipe de saúde tem na família um aliado”, diz o Dr. Gonzaga. Ela é realmente essencial para que o paciente enfrente as prescrições médicas da maneira mais tranquila possível, garantindo para si próprio uma qualidade de vida satisfatória.

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