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Há vida além do câncer

Imagem Planta
É possível aprender a lidar com o medo e exorcizar o fantasma da recidiva

É possível aprender a lidar com o medo e exorcizar o fantasma da recidiva

O marceneiro Adonias Francisco dos Santos convive com um linfoma de Hodgkin há anos. Recebeu o primeiro diagnóstico em 2007, teve uma recidiva em 2015, passou por um transplante de medula em 2016 e, no mesmo ano, se viu diante de uma segunda recidiva, esta já considerada refratária. A reação dele não poderia ser diferente: ficou bastante frustrado.

“Faltou chão, chorei muito, me desesperei, pensei em desistir de tudo e ameacei me isolar…A vida havia perdido o sentido, foi devastador”, conta.

Mas, depois de voltar a si, e encontrar forças no filho, na família e nos amigos, ouviu de sua médica o que precisava para se reerguer mais uma vez: “você tratou uma vez, duas vezes, e vai tratar de novo”. Desde então, Adonias retomou o tratamento, está recuperado e passou a encarar as coisas de modo diferente. “Decidi viver de maneira mais plena e saudável, ao lado das pessoas que gosto e tirando máximo proveito de cada momento. Claro que posso ter uma nova recidiva, mas não é isso que vai tirar minha alegria de viver. Decidi não me deixar levar pela ansiedade e pelo medo de algo que eu não controlo e é incerto. Preferi entregar nas mãos de Deus e curtir minha vida da melhor forma possível, do jeito que eu posso”.

Ficar atento às alterações de humor é o primeiro passo

O fantasma da recidiva costuma assombrar a mente de quem terminou de se tratar de um câncer. Com os portadores de linfoma e leucemia não é diferente. Administrar essa ansiedade, muitas vezes, é tão difícil quanto reunir forças para enfrentar a doença logo após o diagnóstico.

“No momento em que a pessoa encerra o tratamento, fica em observação e retoma sua vida, normalmente, ela é acometida por uma grande ansiedade e se vê diante de uma dificuldade de fazer planos porque tem medo de receber a notícia de uma recidiva a cada novo exame”, explica a psico-oncologista Flávia Sayegh, coordenadora do Comitê de Psicologia da Abrale. “Nessa hora, é importante estar atento a sinais de alteração de humor e se prevenir de uma depressão”.

Cabeça boa é um santo remédio

O receio da recidiva está presente, muitas vezes, nas avaliações clínicas, no momento de refazer os exames e no retorno da consulta, conta Sayegh. “O assunto não é agradável, nenhum paciente quer ter sua expectativa de cura frustrada, imaginar que seus esforços foram em vão e sentir o mundo desabar”, diz. “Porém, a possibilidade existe e não necessariamente é uma sentença, afinal, sempre é possível controlar a doença e até obter a cura”.

Cada pessoa reage de uma maneira de acordo com sua história de vida e seu corpo. Mas quando a cabeça não está boa, muitos caem na armadilha de deixar de curtir as coisas boas que a vida oferece. Por isso, aprender a conviver com o medo da recidiva é um passo importante para aliviar o peso da doença e encontrar um sentido mais verdadeiro para continuar vivendo.

É conversando que você se entende

A psicoterapia é um caminho. “Nas sessões, ajudamos as pessoas a entenderem que existe vida além do câncer, estimulando o autoconhecimento e buscando junto com elas desenvolver recursos para que lidem melhor com suas questões, sempre com um olhar individualizado”, explica Flávia Sayegh.

A chamada medicina integrativa, que inclui terapias complementares como ioga, respiração, acupuntura e Heike também podem ser um caminho para quem busca um equilíbrio emocional, diz a psico-oncologista da Abrale. “Técnicas de relaxamento e meditação auxiliam na controle do estresse e da ansiedade, e ajudam no autoconhecimento. Às vezes, um vídeo da internet já pode ser um bom começo”.

 

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