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Luta em família

Imagem Luta Familia
Quando mais de uma pessoa na mesma casa é atingida pela mesma doença, aprendemos que a união realmente faz a força

Quando mais de uma pessoa na mesma casa é atingida pela mesma doença, aprendemos que a união realmente faz a força

Alguns tipos de câncer, como os hematológicos, surgem muitas vezes sem razão, “do nada”, atingindo até mesmo as pessoas mais saudáveis, sem qualquer explicação.

E quais as chances de numa mesma família, duas pessoas apresentarem câncer? Se estivermos falando dos hematológicos, como a leucemia, linfoma e mieloma múltiplo, por exemplo, não é muito comum, pois não são considerados hereditários.

Mas quando isso acontece, com certeza gera diferentes sentimentos na família, em especial o de perseverança e companheirismo.

O pequeno Jefferson tinha dois anos quando uma consulta de rotina revelou algo a mais. Era janeiro de 2013, quando os exames mostraram o baço aumentado e o hemograma rapidamente solicitado apontou plaquetas em 106 mil e leucócitos em 18 mil.

“A médica falou que a notícia não era boa, que poderia ser um câncer infantil”, conta a mãe, Silmara da Silva Mendes, que foi encaminhada com o pequeno para a Santa Casa de Belo Horizonte, onde um mielograma confirmou o diagnóstico de leucemia linfoide aguda (LLA). Seu filho foi imediatamente internado para dar início ao tratamento.

Logo de cara, uma preocupação atingiu Silmara e seu marido, Cosme: Matheus, o irmão gêmeo de Jefferson, teria ou poderia ter a mesma doença? Os exames feitos em Matheus mostraram que não, mas, por precaução, enquanto o irmão fazia o tratamento, ele passou a ser acompanhado, fazendo hemograma a cada três meses, e os resultados eram sempre ótimos.

Até que, em julho de 2014, quando Jefferson já estava na fase de manutenção, Matheus reclamou de cansaço e quis se deitar. Como teve febre, a mãe o levou ao hospital, e no primeiro atendimento já foi detectado o baço alterado. “Naquele momento entrei em desespero, não conseguia nem falar com o médico, só chorava. Um filme estava sendo rodado novamente na minha cabeça, eu não queria acreditar”, lembra Silmara. Quando o médico soube do histórico do irmão gêmeo de Matheus, o hemograma foi colhido imediatamente, e os resultados se mostraram ainda mais preocupantes: plaquetas em 36 mil e mais de 20 mil leucócitos. Ele foi internado com urgência, tinha risco de hemorragia interna.

Logo o mielograma confirmou o diagnóstico: a mesma LLA já enfrentada pelo irmão. A partir de então, a luta da mãe Silmara literalmente duplicou. Sessões de quimio, idas ao médico, exames para acompanhamento, cuidados em casa com a alimentação e os riscos de contaminação. “No começo, fui atingida por uma depressão muito forte, mas logo vi que me entregar a ela só piorava a situação. Então retomei as minhas forças e a fé em Deus e parti para a luta. Hoje sei que tenho muito a agradecer. Tanto pela vidinha deles, que são dois anjos maravilhosos, quanto pelo tratamento, todo feito pelo SUS e com muito carinho da equipe médica.”

Silmara conta que tudo o que ocorreu foi encarado de forma muito natural pelo Matheus. “Ele já tinha visto o processo do irmão, então na cabecinha dele achava normal estar passando também por cada etapa, de perder cabelo, passar mal, ficar inchado etc.” Por causa da imunidade baixa, os irmãos não podem fazer os programas básicos de outras crianças, como ir ao parque ou ao cinema, e é o carinho e cuidado da mãe que os faz ter experiências divertidas. “Fazemos piquenique no meio da sala, brincamos de mímica, vemos filme todos juntos no sofá, oferecemos a eles pratos com legumes em formato de bichinhos. Nos unimos muito mais como família depois disso tudo, e hoje qualquer sorriso no rosto deles faz todo e qualquer sacrifício valer a pena! O Jefferson e o Matheus são os melhores presentes que Deus me deu.”

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