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Na melhor idade

  

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Onco-geriatria é a nova abordagem para o tratamento do idoso com câncer no país

Onco-geriatria é a nova abordagem para o tratamento do idoso com câncer no país

Por Tatiane Mota

No Brasil, existem mais de 30 milhões de pessoas acima dos 60 anos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), este número vai mais que dobrar nas próximas décadas, e em 2050 teremos mais de 70 milhões de idosos no país.

Mas é justamente nesta fase da vida, a tão conhecida terceira idade, que as pessoas estão mais propensas a serem diagnosticadas com câncer, grupo de doenças que têm início quando as células do corpo apresentam uma mutação em seu DNA e passam a crescer e se dividir de maneira descontrolada.

De todos os tipos da doença, 70% acontecem nesta faixa etária. Mas há uma explicação para isso.

“Conforme vamos envelhecendo, as nossas células também envelhecem. Mas o sistema de reparação destas células, que durante a juventude trabalha com um maior gás, a partir dos 60 anos começa a ficar mais falho, o que pode ajudar no surgimento do câncer. E também devemos lembrar que os fatores externos, como bebida, cigarro, má alimentação, sedentarismo, também ajudam para isso. Afinal, quanto mais velhos, mais tempo estamos expostos a eles”, explica a Dra. Theodora Karnakis, geriatra responsável pela área de onco-geriatra do Hospital Sírio Libanês.

E aí perguntamos: é possível que, pessoas acima dos 60 anos, façam o tratamento, cheguem à cura do câncer e ainda tenham qualidade de vida? A resposta é SIM!

O avanço da ciência, que trouxe diversas novas opções de tratamento, com certeza tem importante papel para isso. Mas é na Onco-Geriatria que encontra-se os cuidados necessários para a conquista destes resultados.

Ainda em crescimento no país, esta área tem por função específica avaliar os idosos com câncer e auxiliar a equipe de Oncologia e Hematologia na decisão do tratamento.

“O tratamento nesta faixa etária com certeza mudou.  Hoje, não avaliamos mais o paciente por sua idade cronológica, e sim por sua idade funcional. Ou seja, se seu corpo está apto a receber o tratamento, ele irá receber”, disse a Dra. Theodora.

Diagnóstico precoce é o que faz a diferença 

Como já bem dissemos, ainda que o paciente seja mais velho é possível sim obter resultados positivos no tratamento do câncer, até mesmo a cura. Porém, alguns fatores são primordiais para isso, e o diagnóstico precoce é um deles.

Muitos dos sintomas, como fraqueza, anemia, dores e fraturas ósseas e palidez são comuns a outras doenças, o que pode confundir não só o paciente, como também o especialista. Afinal, quem nunca reclamou de uma dorzinha e ouviu “deve ser a idade pesando”, não é mesmo?

Mas quando o assunto é o câncer, não se pode brincar e muito menos perder tempo. A qualquer sinal diferente no corpo, é importante procurar um médico o quanto antes. Em pessoas acima dos 60 anos, além do clínico geral, também é possível que o primeiro contato aconteça com um geriatra. Mas ambos devem ter a sensibilidade e o conhecimento para saber identificar se estes e outros sinais podem ou não ser um câncer e assim encaminhar ao oncologista, profissional responsável por tratar esta doença.

Qual o melhor tratamento?

O oncologista, em conjunto com o onco-geriatra, são os responsáveis por definir quais as melhores opções terapêuticas. Existem diversos protocolos de quimioterapia, além de radioterapia, cirurgia e transplante de medula óssea. Tudo irá depender do tipo do câncer, das condições do paciente e do estadiamento da doença.

Hoje o tratamento individualizado também é uma realidade. Por meio das terapias-alvo, apenas as células doentes são combatidas, pois os medicamentos são desenhados para bloquear alvos específicos que causam a multiplicação das células malignas.

A imunoterapia é a mais recente descoberta da ciência para o tratamento do câncer. Composta por diferentes medicamentos que são aplicados no paciente de maneira intravenosa (nas veias) ou subcutânea (abaixo da pele), ela geralmente causa menos efeitos colaterais que os tratamentos padrões, e vem beneficiando um número crescente de pessoas.

“Entender o paciente como indivíduo único com certeza fará a diferença para um melhor tratamento. Também acredito que o trabalho em equipe, sempre valorizando a multidisciplinaridade profissional e os conhecimentos específicos de cada área, são essenciais”, disse a Dra. Theodora.

Transplante de medula óssea

Para os cânceres do sangue, como a leucemia, linfoma, mieloma múltiplo e síndrome mielodisplásica o transplante de células-tronco hematopoéticas, também chamado por transplante de medula óssea, é opção importante de tratamento – e geralmente indicado apenas quando as primeiras opções terapêuticas não apresentam resultado.

Até pouco tempo atrás este era um procedimento para jovens e pessoas acima dos 50 anos não podiam realizá-lo. Mas isso ficou no passado e hoje é possível, sim, fazer este procedimento em pacientes com mais de 50 anos.

Este é exatamente o caso de Suzumu Akatsuka, paciente de leucemia mieloide crônica. O diagnóstico veio aos 73 anos, em um exame de rotina. “Sempre gostei de praticar atividades físicas, e passei a sentir um cansaço fora do normal quando ia à academia. Não liguei muito, até precisar fazer um exame de sangue e saber que ele estava completamente alterado”, conta.

Suzumu foi encaminhado ao hematologista e após realizar o mielograma, descobriu que tinha um câncer. “Foi um baque. Sofri muito. Mas quando obtive a informação que o tratamento não seria difícil, fiquei mais aliviado. Comecei com o Hydrea e depois passei para o imatinibe. Não apresentei os resultados necessários e passei a me tratar com o dasatinibe. Infelizmente, este medicamento também não apresentou bons efeitos e tive uma crise blástica. Foi quando, em 2015, o transplante de medula foi indicado”.

Encontrar o doador foi tarefa fácil, já que o irmão era 100% compatível. Mas o pré-transplante não foi tão fácil assim. Os ciclos de quimioterapia, necessários antes do procedimento, causaram muitos efeitos colaterais. “Precisei ser muito forte e fico muito feliz em saber que consegui vencer mais essa batalha. Hoje estou muito bem e no aguardo da liberação para tomar todas as vacinas novamente. É preciso acreditar no tratamento e seguir exatamente o que o médico diz. O caminho da cura nem sempre será fácil, mas no final a vitória é toda nossa”.

Lembrando que o transplante de medula óssea envolve diversos aspectos, ainda que a idade não seja mais o fator denominador de sua realização. São eles:

1 – A indicação só virá após avaliação. Será fundamental entender o estadiamento da doença e as condições físicas deste paciente.

2 – Se o transplante ideal for o alogênico será necessário encontrar um doador compatível na família e/ou no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). Além disso, o pré e pós transplante exigem cuidados muito rigorosos, já que o paciente fica imunossuprimido e por isso mais propenso a infecções. Tudo isso será observado.

3 – No Brasil, nem todos os centros de tratamento estão preparados para realizar este procedimento, e isso com certeza deve ser levado em conta.

A vida continua

Descobrir que se tem um câncer não é nada fácil, mas olhar para essa situação por uma perspectiva diferente pode ser um passo importante. E foi exatamente isso que a paciente de mieloma múltiplo Mercedes Rocha, 64 anos, fez.

Em fevereiro de 2015 ela começou a apresentar dores nas pernas, além de um cansaço muito grande e falta de ar. Desconfiou que poderia ser um problema de saúde e procurou um médico.

“Lembro que minha filha estava comigo quando o especialista deu a notícia. Ela tentou disfarçar a situação, para que eu não ficasse muito assustada, mas quando saímos do consultório ela me contou com calma”, disse Mercedes.

O tratamento começou com alguns medicamentos e sessões de quimioterapia. “Mas graças a Deus reagi bem aos efeitos colaterais, e hoje o mieloma está controlado. Já tem alguns meses que não preciso realizar o tratamento”.

O diagnóstico chegou em um momento em que Mercedes trabalhava muito e jamais pensava em parar. “Eu sempre estava correndo e não tinha tanto tempo para mim. Quando descobri o câncer fiquei muito abalada, mas hoje sei a importância de vivermos um dia de cada vez, sempre dando valor aos detalhes. Com a ajuda de minha família, de Deus e todo apoio e carinho que encontrei na Abrale estou superando e confiando que um dia conseguirei a cura”.

 O tratamento é apenas parte do processo

A qualidade de vida não deve ser deixada de lado – JAMAIS!

Realizar atividades físicas, como caminhadas leves e natação, além de manter a saúde em dia, pode ajudar a controlar o estresse e a ansiedade, muito comuns aos pacientes com câncer.

A alimentação também influencia bastante no tratamento, e ajuda a controlar os efeitos colaterais causados por algumas terapias. Veja se em seu centro de tratamento há um nutricionista que pode te ajudar a balancear sua dieta. A Abrale também oferece atendimento nutricional gratuito.

Cuidar da autoestima com certeza te dará um up. A depender do tratamento, o paciente fica bastante debilitado, e pode perder peso, ficar inchado e até mesmo perder os cabelos. Mas este é o momento de ousar! Aproveite para usar bonés, lenços, perucas; um toque de maquiagem pode te ajudar a se sentir atraente; cuide muito bem de sua pele, e não esqueça o protetor solar.

Estar ao lado de quem se ama também pode tornar este momento mais fácil. Nada como ter família e amigos perto de nós quando mais precisamos, certo? Conversar com um psicólogo também é uma importante alternativa. A Abrale oferece gratuitamente este atendimento.

“O suporte social é tão essencial quanto o próprio tratamento. Se manter informado e ter autonomia fazem a diferença neste momento”, disse a Dra. Theodora.

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