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O sumiço da Bleomicina

  

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Medicamento é utilizado no tratamento do linfoma de Hodgkin e está em falta no país

Medicamento é utilizado no tratamento do linfoma de Hodgkin e está em falta no país

 Por Tatiane Mota

A Bleomicina é um fármaco produzido a partir da fermentação da Streptomyces Verticillus, um tipo de bactéria. Sua principal indicação é para bom tipos de câncer, em associação a outros quimioterápicos.

O principal protocolo a conter a droga é o ABVD, formado por: Adriamicina + Bleomicina + Vinblastina + Dacarbazina.

Este é o tratamento de primeira linha para os pacientes de linfoma de Hodgkin, tipo de câncer que atinge jovens e adultos. Com este protocolo é possível obter uma resposta bastante positiva – cerca de 76% dos pacientes entram em remissão completa.

Porém, há alguns meses este medicamento deixou de ser distribuído em todo o Brasil. Médicos e pacientes, tanto de hospitais públicos quanto privados ficaram surpresos e preocupados, já que não há um substituto.

Dúvidas como “meu tratamento não terá o mesmo efeito?”, “por que estamos sem a Bleomicina?” , “o medicamento irá voltar a ser produzido?” começaram a ser enviadas diariamente para a Abrale e nesta matéria pretendemos responder a todas.

ABVD x AVD

 É verdade que para um tratamento dar certo é importante, sim, ter acesso ao tratamento correto (e, porque não dizer, completo). Mas também é verdade que cada organismo responde de um jeito particular aos medicamentos. É o que diz Dra. Rita de Cássia Cavalheiro, onco-hematologista do Hospital Santa Marcelina.

“Claro que o ideal é realizarmos o protocolo completo, mas ainda não podemos afirmar que o paciente apresentará resposta inferior por não estar utilizando a Bleomicina no protocolo ABVD. A resposta aos quimioterápicos é bastante individual. Por este motivo, no hospital optamos por continuar o tratamento, utilizando o esquema AVD. É importante lembrar que existem outras opções de tratamento, mas são mais agressivos e utilizados quando não há resposta. Por isso temos que dar a possibilidade para que o paciente encontre a remissão com o protocolo de primeira linha. Esperamos que esta situação volte ao normal o quanto antes”, disse a médica.

O sumiço da Bleomicina

Tudo começou no final de 2017, quando a Biosintética Farmacêutica, importadora do Bonar (sulfato de bleomicina), protocolizou uma notificação de descontinuação temporária de fabricação do medicamento, devido à problemas encontrados em sua fabricação, no México. Ele era a única opção utilizada no Brasil, até o início de 2018.

Com isso, o laboratório solicitou a certificação de Boas Práticas de Fabricação à ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“A inspeção ocorreu na empresa fabricante do medicamento, a Lemery, no México, em agosto, a partir da qual foram identificados problemas graves. O risco em produzir medicamentos nesta condição motivou a adoção de medidas cautelares. Também foi publicada uma resolução, que determinou como medida de interesse sanitário, em todo o território nacional, a suspensão da importação, distribuição, comercialização e uso do medicamento em todo o país”, diz Renato Porto, diretor de Regulação Sanitária da Anvisa.

Entendendo a importância do assunto, a Anvisa passou a priorizar as análises de pedidos de outras farmacêuticas que tivessem o interesse em produzir a Bleomicina, em especial as demandas de registro ou pós-registro de Certificação de Boas Práticas de Fabricação.

“Todas as solicitações de importação excepcional da Bleomicina são analisadas com urgência que o caso requer. Temos realizado tratativas das unidades técnicas junto às empresas que possuem o registro, com a finalidade de retomar a disponibilidade do medicamento ao mercado. Temos tomado as medidas necessárias para que a situação seja normalizada o quanto antes”, fala Renato Porto.

O que o Ministério da Saúde diz

Em nota, o órgão informou que todos os hospitais do SUS habilitados em Oncologia recebem mensalmente recursos federais para a compra e oferta de medicamentos antineoplásicos, como a Bleomicina. O valor, de acordo com o MS, já está incluso no total pago para a realização dos procedimentos ambulatoriais e hospitalares para o tratamento do câncer. Além disso, a pasta distribui seis medicamentos considerados estratégicos para a assistência nas unidades públicas.

O Ministério da Saúde ressalta que tem incentivado a parceria entre laboratórios públicos e privados para ampliar o acesso a medicamentos essenciais importados, de alto custo ou judicializados.

Próximos passos

Alguns hospitais contatados por nossa equipe disseram que já estão conseguindo importar o medicamento e que a situação, aos poucos, está voltando ao normal. Mas se você ou seu familiar está em tratamento de linfoma de Hodgkin e está realizando o protocolo sem a Bleomicina, entre em contato com a Abrale. Queremos ajudar! (11) 3149-5190 ou abrale@abrale.org.be

O linfoma de Hodgkin

 Este tipo de câncer surge quando os linfócitos ou os seus precursores que moram no sistema linfático, e que deveriam nos proteger contra as bactérias, vírus, dentre outros perigos, se transformam em malignas, crescendo de forma descontrolada e “contaminando” o sistema linfático.

Como o tecido linfoide está presente em muitas partes do corpo, o linfoma de Hodgkin pode começar em qualquer local do corpo, mais frequentemente nos gânglios linfáticos presentes no tórax, pescoço e axilas. Nele, além das células doentes, o paciente também apresenta células saudáveis.

Ainda não se sabe o motivo para o surgimento dessa doença, que é adquirida e não hereditária. O linfoma de Hodgkin compreende cerca de 20% dos casos da doença, e pode ocorrer em qualquer idade, mas os jovens de 25 a 30 anos são os que mais recebem o diagnóstico.

Os primeiros sinais do linfoma de Hodgkin são os gânglios aumentados (nódulos na região do pescoço, virilha e axilas), e sem apresentarem dor. Outros sintomas são:

  • Febre
  • Suor noturno
  • Perda de peso sem motivo aparente
  • Coceiras na pele (prurido)
  • Aumento do baço (esplenomegalia)

Além da quimioterapia, que inclui o protocolo ABVD como o principal tratamento utilizado, a depender de fatores como estadiamento da doença e resposta do paciente, é possível que outras opções sejam indicadas, como:

Radioterapia – são utilizadas radiações ionizantes, que destroem ou inibem o crescimento das células com câncer. Ela pode ser feita isoladamente ou em conjunto à quimioterapia.

Transplante de medula óssea autólogo – ele acontece com as próprias células do paciente. Elas são coletadas, congeladas e tratadas e depois infundidas novamente no paciente.

Imunoterapia – indicados para os pacientes que não respondem ao tratamento ou têm recidiva após o transplante. Estes medicamentos são feitos a partir de proteínas produzidas pelo sistema imunológico para combater infecções. Eles são produzidos em laboratório e agem em um alvo específico.

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