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Os medicamentos venceram. E agora?

  

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Medicamentos são extremamente úteis no combate à diversas doenças, mas é importante ficar de olho na data de validade

Medicamentos são extremamente úteis no combate à diversas doenças, mas é importante ficar de olho na data de validade

Por Natália Mancini

 

Existem vários tipos de medicamentos.  Aqueles em gota, em comprimido, com gosto, sem gosto. Alguns tratam os sintomas. Outros, curaram as doenças. Mas todos têm algo em comum e que não pode ser esquecido: eles são, na maioria das vezes, misturas químicas e por isso só podem ser utilizados até uma data estabelecida.

Remédios nada mais são que uma receita. “Tudo começa com a pesquisa e descoberta desejada, que seja capaz de atuar no corpo, ‘consertando’ aquilo que se pretende reparar”, explica Denise Martins, farmacêutica e coordenadora de comunicação da Abrale.

O primeiro passo é descobrir o princípio-ativo (PA) da substância. Feito isso, os pesquisadores devem, então, desenvolver uma receita para produzir um remédio que tenha o efeito desejado no corpo.

Além dessa substância principal, devem ser adicionados ingredientes que consigam “protegê-la”. “Se o princípio-ativo for sensível à luz, por exemplo, tem-se que adicionar ingredientes que o protejam da luz. Se ele se degradar na presença de ar, tem-se que adicionar um ingrediente que evite o contato princípio ativo com o ar”, fala Denise.

Com estas respostas em mãos, os pesquisadores, finalmente, têm a receita completa do remédio, que deve seguir para a fase de experimentos. Dentre as respostas necessárias, está a vida útil do medicamento e são estes testes que irão determinar a data de validade.

A Profa. Dra Patricia Moriel, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNICAMP, explica que o remédio é submetido ao estudo de estabilidade, no qual será testado a sua capacidade de manter as suas propriedades químicas, físicas, microbiológicas e biofarmacêuticas em um período de tempo.

Esse estudo consiste em três ensaios:

1º Acelerado, que é projetado para acelerar a degradação química e as mudanças físicas desse medica

mento, simulando uma condição forçada de armazenamento;

2º Acompanhamento, para entender como o medicamento funciona;

3º Longa duração, no qual é realizado um acompanhamento durante um período maior, sem interferência para determinar se a condição forçada está adequada.

No final desses ensaios, os pesquisadores conseguem determinar até quando o medicamento estará estável e agirá no organismo da forma planejada. Isso quer dizer, então, que no dia seguinte da data de validade ele

já não funciona mais? Não é bem assim.

“É provável que ele ainda esteja funcionando no dia seguinte ao seu vencimento, mas não é possível garantir que ele esteja com 100% de efetividade”, explica a Profa. Dra. Patricia.

Com o efeito reduzido, é possível que esse medicamento não seja mais tão eficaz no combate às doenças, podendo até dificultar o tratamento em alguns casos. Um exemplo disso são os antibióticos. Supõe-se que um antibiótico precise de 10 moléculas para combater uma bactéria. Ao perder a sua eficiência, ele passa a ter só 8 moléculas. Então, quando o medicamento entrar em contato com a bactéria, ele não terá força suficiente para destruí-la e isso pode fazer com que ela fique resistente a esse tratamento.

Existem também os medicamentos que perdem seu efeito mais rapidamente depois de abertos, por exemplo, os colírios. Essa informação deve estar indicada na bula ou na própria embalagem.

Caso a pessoa faça uso de um medicamento vencido, também é possível que apresente problemas de saúde, além de efeitos indesejado. Por isso, é sempre importante ficar atento à data presente na embalagem do produto.

O Imatinibe é mais resistente?

Medicamento utilizado no tratamento da leucemia mieloide crônica (LMC), seu princípio-ativo age interrompendo a reprodução de células anormais causadas por este tipo de câncer.

Ao contrário dos antibióticos, o Imatinibe fora da data de validade não causará uma resistência ao câncer. “Neste caso, para que isso aconteça, depende muito mais de um fator genético, do que do medicamento propriamente dito”, explica Profa. Dra. Patricia.

Mas, assim como acontece com o restante dos medicamentos, não é garantida que a eficiência dele seja total após o vencimento. De acordo com a bula do Imatinibe, o prazo de validade é de 24 meses a partir da data de fabricação, e deve ser mantido entre 15 e 30ºC, longe da umidade e em local sem iluminação.

É importante frisar que, de nada adianta o medicamento estar na validade, se não está armazenado de forma correta. Se as instruções não forem seguidas, é possível que a droga perca a validade antecipadamente.

Descarte de medicamentos vencidos 

Jogar os remédios vencidos no lixo comum ou no vaso sanitário não é correto, pois o sistema de esgoto não foi montado para eliminar as substâncias químicas presentes nesses produtos e nem sempre o lixo é tratado do jeito que deveria, então pode contaminar o meio ambiente e causar danos aos seres vivos daquele local.

O correto é levar até um posto de coleta, farmácia que realize esse tipo de coleta ou até um posto de saúde e pedir para que eles façam o descarte apropriado.

Estando nos locais adequados, as caixas e bulas serão mandadas para o reciclável (essa primeira parte, a própria pessoa pode realizar em casa) e as seringas dos medicamentos serão levadas até usinas para serem descontaminadas e, em seguida, encaminhadas para aterros de sólidos.

Já os medicamentos em comprimido, por normalmente possuírem produtos químicos, são incinerados em usinas preparadas ambientalmente para essa ação para haver contaminação.

Para entender os medicamentos, clique aqui.

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