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Paz interior

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O bem-estar causado pela espiritualidade traz outro sentido à vida de quem lida com doenças graves

O bem-estar causado pela espiritualidade traz outro sentido à vida de quem lida com doenças graves

Imagine-se em um banho de mar em um dia de ondas calmas, de céu azul claro em uma bela praia; ou em uma floresta de árvores frondosas, com cheiro de mata e todo o silêncio preenchido por cantos de pássaros e ruídos de outros animais. Pode se imaginar também em uma boa meditação; realizando alguma ação altruísta para quem precisa; ou, se for o seu caso, participar de uma missa ou outro ritual religioso que lhe preencha de uma grande satisfação. Essas e outras situações têm uma enorme capacidade de nos desertar para a espiritualidade.

“Trabalhar a espiritualidade é trabalhar o seu autoconhecimento, através da busca pelo que transcende a sua vida material, por algo sagrado e divino que justifique a sua existência”, define Thiago Pugliesi Branco, médico geriatra do Núcleo de Cuidados Paliativos do Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp). Ele trabalha atualmente para a criação de um Núcleo de Espiritualidade e Oncologia no Instituto. “Médicos e outros profissionais da saúde nutrem cada vez mais interesse sobre esse tema, mas ainda precisamos desfazer alguns preconceitos”, avalia.

A sensação de conforto equilibra o sistema nervoso

A relação simbiótica entre a área da saúde e o conhecimento mais científico sobre a espiritualidade aumenta cada dia, na medida em que estudos médicos indicam que uma pessoa espiritualizada dá sinais de melhoria em seu estado físico e psicológico, em sua relação com os que estão ao redor, chegando a extrapolar para o desenvolvimento de sentimentos de contentamento, perdão, esperança e afeto. Somadas a isso, práticas religiosas incentivam hábitos de vida saudável, suporte social, ou que pode gerar menores taxas de estresse e depressão, se mostrando um eficiente mecanismo de prevenção de doenças.

De acordo com o médico Marcelo Saad, um dos autores do livro Espiritualidade baseada em evidências, a espiritualidade, seja ela exercida através de uma religião ou não, interfere no estado psico-neuro-endócrino-imunológico do paciente. “Quando a nossa mente alcança uma harmonia pelo conforto e pela segurança, há um equilíbrio do sistema nervoso, que controla todas as funções do nosso corpo”, afirma. E essa reação é positiva em momentos de doença. “Estudos mostram que pessoas espiritualizadas, que praticam orações, meditação ou outros meios, têm maior controle de sintomas como dor e pressão arterial, além de serem mais favoráveis no contexto de pós-operatório”, explica Branco.

Por outro lado, no caso de pacientes já em estágio de doença incurável, o médico do Icesp diz que o bem-estar proveniente da espiritualidade melhora o controle de sintomas físicos, e permite a esse paciente lidar com a realidade de maneira menos sofrida.

“Nesse período, é natural que surjam angústias, questionamentos, medo. A gente acredita que práticas de meditação e orações, por exemplo, ajudam no controle de sinais vitais, no desenvolvimento de uma paz interior e de um amparo emocional. Diversas religiões tratam a doença e a morte como uma possível libertação. Mostram que pode haver algo que nos permita encontrar com um Deus. Trazem um sentido maior à vida e a um pós-vida”.

Como bem disse Merula Steagall, presidente da Abrale, em um de seus editoriais escritos para a nossa revista: “ A dor, as perdas e as situações de provocação são sinais de alerta e momentos de pausa para fortalecermos nossa fé e coragem. É nesse percurso que se encontra o significado da vida”.

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