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Sexo e câncer

  

Imagem Sexo E Cancer
Durante o tratamento, é possível manter a relação sexual saudável e prazerosa

Durante o tratamento, é possível manter a relação sexual saudável e prazerosa

Por Tatiane Mota

Para alguns, amor. Para outros, prazer. O sexo desperta diferentes sentimentos e sensações e costuma ter grande peso nas relações afetivas. Sem sombra de dúvidas essa é uma das trocas mais íntimas que podemos ter com o outro. Mas, e quando o câncer aparece, as relações sexuais continuam as mesmas?

A descoberta da doença gera um impacto importante na vida do paciente, afinal, são vários os medos e angústias que podem surgir neste momento. O tratamento pode interferir, pois dependendo da terapia utilizada, como a quimioterapia ou até mesmo cirurgias, mudanças físicas podem acontecer, dentre elas perda de cabelos, novas cicatrizes pelo corpo e até mesmo secura vaginal.  Sem contar o mal-estar, com fortes enjoos e cansaço, que definitivamente não são nada animadores. 

De acordo com a psicóloga clínica e psicoterapeuta Junguiana, Marcela Bianco, nossa autoestima está totalmente relacionada ao modo como nos sentimos em relação a nós mesmos e com a auto-capacidade de aceitação. Quando ocorrem mudanças físicas, decorrentes de um processo de adoecimento, as dificuldades de aceitar a nova imagem corporal, uma vez que essas alterações não são frutos de escolhas ou mudanças naturais do tempo, marcam processos dolorosos e difíceis de serem vivenciados emocionalmente.

“Não é só aceitar o ‘novo corpo’, mas também aceitar o novo caminho de vida e a nova identidade que se formam a partir do processo de adoecimento e tratamento. É importante modificar a forma como percebemos essas mudanças, diminuindo o impacto negativo e tentando encará-las como o resultado da nossa luta pela vida, da nossa força e da nossa história de superação”, disse Marcela.

E com tantas coisas acontecendo, tantos novos sentimentos para lidar, o sexo fica de lado, podendo, inclusive, se tornar mais um problema, seja pela auto-cobrança, ou até mesmo pela cobrança do parceiro.

Se o paciente estiver em um relacionamento, conversar será fundamental. Este é o momento ideal para dividir com o outro os sentimentos, no que se refere aos aspectos positivos e negativos da fase em que se encontra. Falar sobre o assunto, explicar que esta é só uma fase e que em breve a vida voltará ao normal, são boas maneiras de lidar com a situação e até mesmo estreitar os laços da relação.

“Infelizmente, não são incomuns as histórias de rejeição e abandono por parte do parceiro. A busca por grupos de apoio ou ajuda com profissionais especializados no assunto, como os psicólogos, também são alternativas para lidar com essa situação”, explica Marcela.

Mas é importante ressaltar que é possível vivenciar o sexo, de maneira prazerosa e confortável, durante o tratamento do câncer. Claro que isso irá variar de pessoa para pessoa, mas no geral, se essa é a vontade do paciente, não há nada que o impeça.

Letícia Fernandes, 22 anos, paciente de linfoma de Hodgkin, é um grande exemplo disso. Assim que recebeu o diagnóstico, sentiu o impacto do tratamento em sua vida sexual. E superou.

“A perda de cabelo, manchas pelo corpo e emagrecimento excessivo não me deixavam sentir bem e bonita. Além de ter vergonha de assumir a nova aparência, sentia muito incômodo e sensibilidade durante as relações sexuais. Com o passar do tempo, fui aprendendo a lidar com a situação e passei a usar todos os artifícios que me estimulassem, em especial a lidar com a minha sensualidade feminina. Inclusive, uma dica que dou para as pacientes é que realizem uma sessão de fotos que traga à tona essa sensualidade. Comigo funcionou muito bem”.

Já para o Márcio Oliveira, 35 anos, paciente de leucemia mieloide crônica, o diagnóstico do câncer ajudou em todos os sentidos.

“Pode parecer estranho, mas me senti ainda mais vivo. Costumo dizer que foi a melhor coisa que me aconteceu, pois passei a admirar os detalhes da vida. Com o sexo não foi diferente. Sentia até mais vontade. Acredito que tudo esteja em nossa mente. Saber usá-la como artifício torna mais prazeroso não só o sexo, mas a vida como um todo”. 

De fato, a vivência da sexualidade vai muito além da relação sexual em si. Por isso, resgatar o romantismo, sair da rotina, conhecer profundamente o próprio corpo, procurar novas formas de buscar o prazer e vivenciar a intimidade sem dúvidas podem ser excelentes armas para tornar o sexo mais prazeroso não só durante o tratamento, como na vida.

Sexo sem complicação 

 De modo geral, as relações sexuais não estão proibidas durante o tratamento (a não ser que esta seja uma prescrição médica, claro). Mas alguns cuidados são importantes!

  • Durante o tratamento com quimioterapia ou radioterapia, deve-se evitar a gravidez, pois o feto pode ser agredido. Converse com seu médico para saber qual o melhor método contraceptivo.
  • Homens em tratamento também devem evitar ter filhos, portanto o uso de camisinha é essencial.
  • E por falar em camisinha, seu uso também será fundamental enquanto o paciente estiver com a imunidade baixa. É possível que algumas infecções sejam transmitidas na hora do sexo, e a pessoa em tratamento não pode se arriscar!
  • Mulheres em tratamento podem apresentar secura vaginal, provocando dores durante as relações sexuais. Para aliviar a falta de lubrificação, existem diversos hidratantes vaginais e lubrificantes naturais. Converse com o médico e veja qual o melhor para você. Testar diferentes posições também pode tornar o momento mais íntimo e agradável.
  • Como muito se fala por aí, as preliminares muitas vezes são consideradas até melhores que o ato sexual em si. Então abuse dos carinhos, faça uma boa massagem. Curta e se entregue neste momento a dois.
  • Não se preocupe tanto com o orgasmo. Essa pressão atrapalha o desempenho e prazer.

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