Menu
Conteúdo gratuito para pacientes de câncer e doenças do sangue, e seus familiares!

Terapias biológicas inovam tratamento oncológico

  

Shutterstock 782843029 (1)
Com excelentes respostas, elas podem ser utilizadas no tratamento de diferentes tipos de câncer

Com excelentes respostas, elas podem ser utilizadas no tratamento de diferentes tipos de câncer

Por Natália Mancini

As terapias biológicas são importantes opções na hora de tratar algumas doenças. Para o tratamento do câncer elas estão trazendo resultados promissores.

O farmacêutico Guilherme Munhoz, do Comitê de Farmácia da Abrale, explica que “esses medicamentos são originados de organismos vivos e desenvolvidos por meio de engenharia genética, para atuar em alvos específicos dentro do organismo.”

De acordo com Márjori Dulcine, diretora médica da farmacêutica multinacional Pfizer, esse tipo de terapia pôde começar a ser desenvolvida devido a biotecnologia. “A técnica permite a manipulação de seres vivos, como microrganismos, células, órgãos e tecidos de origem vegetal ou animal”.

biotecnologia - câncer - terapias biológicasEm 1970, a recombinação de DNA trouxe grandes novidades. Com isso, passou a ser possível cortar um gene de uma fonte, juntar com pedaços de outras fontes e transferir esse novo “Frankenstein” para uma célula hospedeira que irá fabricar a proteína desejada.

A primeira terapia biológica desenvolvida foi a insulina humana, lançada em 1982. Segundo Márjori, desde então os biológicos vêm revolucionando o tratamento de doenças de grande impacto na sociedade, como o câncer e as doenças autoimunes.

“Os métodos sofisticados de análise e manipulação do DNA trouxeram grandes avanços no conhecimento dos processos biológicos de várias doenças, permitindo que a indústria farmacêutica pudesse desenvolver moléculas cada vez mais eficazes e seguras. Ainda hoje, esses medicamentos representam o maior polo de inovação da indústria farmacêutica”, explica Márjori.

Atualmente, a Pfizer está trabalhando com 38 programas de desenvolvimento de novas terapias biológicas. Dessas, 21 estão sendo desenvolvidas para o câncer.

Nasce um medicamento biológico

Para o desenvolvimento de um biológico, primeiro é realizada a recombinação do DNA, como explicado anteriormente. Em seguida, essa nova célula se replica e, sob intenso monitoramento, gera células mestras, que são mantidas em estoque permanente.

Após este processo, são extraídos desse conjunto original os bancos de “células de trabalho”. Esse material passa por um processo chamado filtragem ou centrifugação, para então obter a proteína desejada – e que logo depois será purificada.

Essa proteína obtida é estabilizada para que, então, o medicamento possa ser produzido. O medicamento, por sua vez, antes de chegar ao grande público será submetido a pesquisas e testes rigorosos, que garantam a sua máxima estabilidade, esterilidade, eficácia e segurança.

São quatro as fases de um estudo clínico:

Fase 1 – 80 voluntários sadios são selecionados para avaliar a segurança e a dosagem.

Fase 2 –  300 pacientes são escolhidos para testar a eficácia e a segurança em curto prazo.

Fase 3 – A terapia biológica é testada em 5 mil pacientes para constatar a segurança, eficácia e interações medicamentosas.

Fase 4 – Essa fase inicia-se no pós-lançamento e visa comprovar a diferenciação em relação a outros medicamentos da mesma classe farmacovigilância.

O processo de desenvolvimento é finalizado com a fabricação da embalagem.

“O desenvolvimento de um biológico demanda cerca dez anos de trabalho, levando-se em conta desde o início da pesquisa da molécula até a comercialização do medicamento. Neste processo são consumidos, em média, investimentos de cerca de US$ 2,6 bilhões”, conta Márjorie.

terapia biológica - câncerBiológicos x Sintéticos

São diversas as diferenças existentes entre ambos os tipos de medicamentos. Além de serem produzidos por meio de células vivas e os sintéticos a partir de reações químicas definidas, a estrutura deles também difere.

As terapias biológicas têm uma estrutura complexa e muito grande, já os sintéticos têm uma estrutura pequena e simples. Devido a esse fator, os medicamentos biológicos precisam ser injetáveis, pois se fossem comprimidos ingeridos via oral, seriam destruídos pelo sistema digestivo e não fariam efeito.

Outra diferença é a possibilidade de conseguir duplicar um medicamento químico de forma exata. Este é caso dos genéricos, que possuem um princípio ativo idêntico ao original. Já um medicamento biológico não tem como ser duplicado de forma exata, devido à sua complexidade. Neste caso, só será possível criar estruturas similares, os chamados biossimilares. Eles  também precisarão passar por testes rigorosos para comprovar sua equivalência sem segurança e eficácia.

Tipos de terapias biológicas

Dentro das terapias biológicas existem a imunoterapia inespecífica, os anticorpos monoclonais e as vacinas.

O farmacêutico Guilherme explica que os anticorpos monoclonais se ligam a receptores específicos em vias específicas e fazem com que as células se “suicidem”. Já as vacinas, como a do HPV, ajudam a aumentar as defesas do corpo tornando mais difícil o desenvolvimento da doença.

Isso acontece porque a vacina é composta de organismos vivos, cuja agressividade foi diminuída. Quando esses organismos entram em contato com o corpo humano, o sistema imunológico começa a produzir anticorpos específicos para combatê-los. Assim, quando a doença real aparecer, o corpo já vai ter as defesas necessárias para lutar contra esse “mal”.

Já a imunoterapia objetiva “enganar” o sistema imunológico. “Algumas células cancerígenas conseguem desenvolver receptores que ligam às células de defesa do organismo. Então, o papel da imunoterapia é se ligar a estes receptores e inibir que este sistema de ‘chave e fechadura’ engane o sistema imunológico do paciente. Dessa forma, provoca a morte das células doentes”, explica Guilherme.

terapias biológicas - câncerTerapia biológica na luta contra o câncer

Os medicamentos biológicos revolucionaram e continuam a revolucionar o tratamento de doenças de elevada prevalência e forte impacto para os países. Doenças como os diferentes tipos de câncer, além da diabetes, anemia, doenças autoimunes, como artrite reumatoide, psoríase, doença de Crohn, colite entre outras.

Para os cânceres do sangue, as respostas são muito positivas. “Esse novo tipo de terapia trouxe grandes mudanças para o tratamento dos cânceres hematológicos, trazendo chances reais de cura para os pacientes”, diz Guilherme.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou duas novas terapias biológicas: o Inotuzumabe, para a leucemia linfoblástica aguda (LLA) de células B com o marcador CD22 positivo, indicado para pacientes que apresentam recidiva da doença e ou são refratários ao tratamento prévio com quimioterapia, e o Nivolumabe, indicado para o linfoma de Hodgkin em pacientes refratários ou recidivados após transplante autólogo e que tenham passado por tratamento com Brentuximab Vedotina.

Terapia biológica e os efeitos colaterais.

Pelo contrário dos quimioterápicos, a terapia biológica age diretamente nas células doentes, fazendo com que as saudáveis sejam minimamente prejudicadas. Por este motivo, causam menos efeitos colaterais.

“Com os medicamentos biológicos os efeitos mais comuns são os relacionados aos efeitos imunológicos. Eles que podem ser o aumento das enzimas do rim, da proteína da tireoide e em alguns casos pode causar hiperglicemia. Apesar de serem raras, essas reações precisam ser avaliadas pelo médico”, finaliza Guilherme.

2
Deixe um comentário

1 Comentários da postagem
1 Respostas da postagem
1 Pessoas acompanhando a postagem
 
Comentário mais com mais reações
Comentário mais relevante
2 Comentários de autores
  Receba um aviso sobre comentários nessa notícia  
recentes antigos
Me avise quando
Manoel

Boa noite… tenho síndrome de Sezary… estou à disposição para entrevistas e testes de medicamentos..