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Todos somos diamantes

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É preciso resgatar a pessoa por trás do diagnóstico e recuperar a autoestima e a beleza guardadas dentro de nós

É preciso resgatar a pessoa por trás do diagnóstico e recuperar a autoestima e a beleza guardadas dentro de nós

Por Mariana Cavalcante, Psicóloga da ABRALE

E m janeiro aconteceu o maior concurso de beleza do mundo, o Miss Universo. As mulheres mais “belas” estavam lá, e nós brasileiros, claro, torcemos muito para a nossa candidata, Raíssa Santana, porém, ao final do evento, sua beleza não foi considerada a mais perfeita.

Mas será que o fato de não ganhar esse concurso deixa a Miss Brasil menos bela? Claro que não! Diariamente, é imposto a todas as pessoas o tal do “padrão de beleza ideal”: ser magro, ter cabelos lisos, hidratados e um sorriso perfeito. Ficamos nessa busca durante todo o tempo e passamos a viver de forma automática. Só depois de algum tempo, a vida nos mostra que a beleza está muito além dos padrões.

Um paciente com câncer, na maioria das vezes, precisa mudar toda a sua rotina e assim “perde” a possibilidade, mesmo que momentânea, de ir trabalhar, dormir na sua cama, tomar um banho quente em seu chuveiro, ter a família próxima ou fazer aquela viagem sonhada. E não são só essas transformações que acontecem na vida de quem luta contra o câncer. Também existem as mudanças físicas: a queda do cabelo, dos cílios, o inchaço por causa da medicação, o cateter em sua pele.

Essas transformações e “perdas” não são fáceis. Além de lidar com a doença e com o tratamento, o paciente oncológico precisa encontrar novo significado para si mesmo e reconhecer o “novo corpo” que habita. As mulheres, por exemplo, buscam a beleza de uma Miss e quando o seu corpo passa por perdas como essa, surge a insegurança e a autoestima não é mais a mesma. Contudo, a beleza vai além dos cabelos, dos cílios e do corpo escultural.

Durante uma conversa informal com uma paciente, perguntei: “O que é belo para você?”. Ela me contou que antes do diagnóstico era muito vaidosa, mas que hoje percebia a beleza além da aparência física. Me disse que se acha ainda mais linda, porque a verdadeira beleza era a possibilidade de viver.

O paciente oncológico passa por transformações internas e externas. As mudanças durante o tratamento não são fáceis, mas é importante que aconteça uma reflexão. O trajeto é cheio de desafios, perdas exigirão muito do paciente. Porém, será que não é possível ver beleza nessa fase da vida? Esse é o momento de resgatar o que o paciente tem de mais lindo. Reflita: qual é a minha maior qualidade? O que eu posso fazer para me cuidar e amar esse novo corpo? Como eu posso me alegrar? O que mais gosto de fazer? Quais são os planos para a minha nova vida?

Essas respostas devem ser dadas pelo paciente, mas ele pode pedir ajuda aos familiares, amigos e psicólogos. Percebo que após o diagnóstico o paciente começa a dizer: “Oi, eu sou o F. e tenho leucemia”, “Eu sou a M. e tenho mieloma múltiplo”. As pessoas começam a se definir pela sua doença. Isso é normal, porém limitante. Pare e pense nisso. É preciso resgatar a pessoa por trás do diagnóstico. Lembre-se do que lhe fez ou faz bem e só assim você vai recuperar a sua autoestima e a beleza que guardou dentro de si.

A vida é repleta de beleza e de escolhas. As nossas cicatrizes revelam histórias de vida e superação. Cabe a nós ver o quanto aprendemos e evoluímos nessa trajetória. O que é melhor, passar por essa vida ou viver profundamente? Todos somos diamantes, mas precisamos ser lapidados – e essa lapidação só compete a nós mesmos. E se durante essa jornada precisar de ajuda, estou aqui!

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