Nova pesquisa revela como as células podem “esconder” medicamentos e comprometer o tratamento Mesmo com…
Com quase 600 na fila, DF não faz transplante de medula na rede pública
Secretaria de Saúde da capital não realiza procedimento em nenhum hospital público; há opções pagas na rede privada. Ministério da Saúde diz que oferta é responsabilidade local

Dados do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) apontam que o Distrito Federal tem 667 pacientes à espera da doação de medula óssea.
Dessas, pelo menos 587 não conseguirão fazer o transplante na capital pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Isso, porque atualmente o DF não tem nenhum hospital público credenciado para o procedimento.
O Hospital da Criança de Brasília José Alencar é credenciado, mas só realiza transplantes em pacientes de até 18 anos —há 80 cadastros no Redome que atendem a esse critério.
Os números se referem ao transplante de medula óssea do tipo alogênico —quando as células vêm de uma outra pessoa, seja um parente ou algum doador cadastrado no banco.
Para quem pode pagar ou tem plano de saúde, há opções na rede privada do DF:
- Hospital Santa Luzia;
- Hospital Sírio-Libanês;
- Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF);
- Hospital DF Star;
- Hospital Brasília.
Já para quem depende da rede pública, o jeito é viajar para outra unidade da Federação. Neste caso, o governo do DF oferece uma ‘ajuda de custo’ —que, segundo pacientes ouvidos pelo g1, não é suficiente para cobrir nem metade das despesas.
‘Após a definição do centro transplantador, o paciente é encaminhado para atendimento por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), conforme os fluxos assistenciais vigentes no Sistema Nacional de Transplantes’, informou a Secretaria de Saúde do DF.
A pasta não informou por que, há anos, o DF não tem hospitais públicos credenciados para fazer essa modalidade de transplante.
Responsabilidade é local
Questionado pelo g1, o Ministério da Saúde informo que não há qualquer restrição federal para que o DF volte a realizar o procedimento.
‘A habilitação dos serviços segue critérios técnicos, como a disponibilidade de estrutura adequada e a capacitação das equipes’, informou o ministério.
Atualmente, 14 estados nas cinco regiões do Brasil têm hospitais e institutos aptos para realizar transplantes de medula. O Ministério da Saúde não informou em quais deles é possível fazer o transplante alogênico.
Ainda segundo a pasta, ‘a organização da oferta é de responsabilidade do gestor local, que deve pactuar o atendimento para viabilizar a realização dos procedimentos no âmbito do SUS’.
No DF, só com células do próprio paciente
O Distrito Federal até aparece na lista do Ministério da Saúde como uma ‘unidade da Federação credenciada’.
A chefe da hematologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Flávia Dias Xavier, explica que a capital realiza apenas o transplante de medula óssea autólogo – que não precisa de um doador e usa as células-tronco do próprio paciente.
De acordo com Flávia, o transplante alogênico exige uma estrutura maior e não pode ser realizado em quartos comuns, diferentemente do autólogo.
Além disso, após o procedimento, o paciente precisa passar por quimioterapias de alta complexidade —que são mais caras e exigem protocolos adicionais de autorização pelo SUS.
‘Você precisa de quimioterapias diferentes, de condicionamento. Não são as mesmas que a gente usa no transplante autólogo. E para algumas dessas quimoterapias, o valor é muito alto’.
Paciente viajou ao interior de SP
Sem opções gratuitas no DF, os pacientes são obrigados a realizar o transplante —e a longa sequência de tratamentos posteriores— em outra cidade. Muitas vezes, arcando com despesas e sem uma rede de apoio próxima.
Foi o caso de Rita de Cássia, de 54 anos, diagnosticada com leucemia em 2022. Ela chegou a realizar quatro blocos de quimioterapia no DF, mas recebeu a notícia de que precisaria passar por um transplante de medula óssea.
Após dois anos de espera, em 2024 ela recebeu do Redome a notícia de que havia um doador compatível.
O transplante, no entanto, teve de ser realizado no hospital Amaral Carvalho, em Jaú, no interior de São Paulo.
Fonte: G1.

