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Abrale encaminha levantamento sobre desabastecimento de ciclofosfamida ao Ministério da Saúde e recebe resposta oficial

 

A Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) encaminhou ao Ministério da Saúde (MS) um ofício apresentando os resultados de um levantamento nacional realizado por seus navegadores entre os dias 8 e 12 de junho de 2026 sobre o abastecimento da ciclofosfamida em serviços de saúde de diferentes regiões do país. A iniciativa teve como objetivo contribuir para o monitoramento da disponibilidade do medicamento na ponta assistencial, oferecendo informações que possam subsidiar as ações já conduzidas pelo Ministério da Saúde para o enfrentamento do desabastecimento.

O levantamento contemplou 50 serviços de saúde, dos quais 14 relataram algum grau de desabastecimento, sendo 10 com ausência total da ciclofosfamida e 4 com abastecimento parcial, caracterizado por estoques reduzidos e insuficientes para atender plenamente a demanda assistencial.

Também foram identificados relatos de indisponibilidade da apresentação oral do medicamento, necessidade de priorização de pacientes e recebimento de quantitativos insuficientes para recomposição dos estoques.

Em resposta ao ofício, o Ministério da Saúde agradeceu a contribuição da Abrale e reconheceu a relevância das informações encaminhadas para o acompanhamento do cenário na ponta assistencial. A pasta destacou que compreende a gravidade da situação e os impactos decorrentes da restrição de disponibilidade da ciclofosfamida, reafirmando que o tema permanece sob monitoramento contínuo pelas áreas técnicas responsáveis.

O Ministério reforçou que o desabastecimento decorre de problemas relacionados à planta produtiva da empresa fabricante, com repercussões internacionais na cadeia de produção e fornecimento do medicamento. Também ressaltou as medidas adotadas para mitigar os impactos, como a realização de reuniões periódicas com diferentes instituições, a publicação de notas técnicas orientativas, a antecipação de lotes, a aquisição internacional emergencial e a constituição de estoques estratégicos.

Na resposta, a pasta reiterou que a disponibilização emergencial de novos lotes não representa a normalização do abastecimento nacional, uma vez que a recomposição dos estoques depende de diferentes etapas da cadeia produtiva, regulatória e logística.

O Ministério destacou ainda que a programação e a distribuição do medicamento no SUS dependem da articulação entre União, estados, municípios e serviços de saúde, reforçando a importância de que as instituições comuniquem regularmente suas necessidades às respectivas Secretarias Estaduais de Saúde para subsidiar a programação da assistência.

Além disso, o Ministério orientou que os estabelecimentos de saúde mantenham medidas de contingência, como o monitoramento contínuo dos estoques, a priorização clínica dos pacientes quando necessária, a comunicação de situações de risco aos gestores estaduais e, quando cabível, a avaliação de alternativas como aquisição ou importação direta do medicamento, observadas as normas sanitárias vigentes.

Por fim, informou que os dados encaminhados pela Abrale serão incorporados ao monitoramento técnico realizado pela pasta e recomendou que as informações individualizadas dos serviços também sejam compartilhadas com as Secretarias Estaduais de Saúde, fortalecendo o acompanhamento regional e a adoção das medidas necessárias para garantir a continuidade da assistência.

A Abrale seguirá acompanhando o cenário, dialogando com gestores públicos, serviços de saúde e demais atores envolvidos, com o compromisso de contribuir para o monitoramento do abastecimento e para a garantia do acesso contínuo à ciclofosfamida pelos pacientes que dela dependem.

Confira na íntegra o ofício enviado pela Abrale e a resposta do MS.

Área de Políticas Públicas e Advocacy da Abrale.

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