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Posicionamento Abrale quanto ao desabastecimento nacional da ciclofosfamida

A Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) manifesta profunda preocupação com o desabastecimento nacional do medicamento ciclofosfamida, que é de suma importância para o tratamento de pacientes onco-hematológicos em todo o país.

A ciclofosfamida é um fármaco de base na oncologia e na hematologia, amplamente utilizado em protocolos com intenção curativa, incluindo transplante de medula óssea, tratamento de leucemias, linfomas, mieloma múltiplo entre outros tipos de câncer e sua indisponibilidade representa um risco direto à continuidade terapêutica e à vida de milhares de pacientes no país. E o seu desabastecimento ocorre pela falta de insumos e problemas na produção internacional, o que tem afetado o fornecimento da ciclofosfamida à nível mundial.

Conforme ofício da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), enviado ao Ministério da Saúde (MS) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): “A descontinuidade do fornecimento coloca em risco iminente a vida de milhares de pacientes, podendo acarretar o adiamento de transplantes e a interrupção de protocolos curativos”. A sociedade destaca ainda que o cenário é agravado pelo fato de haver atualmente apenas um fabricante para esse medicamento no país.

As alternativas terapêuticas existentes, embora possam ser utilizadas em caráter emergencial, não apresentam equivalência plena. Em nota técnica a ABHH e a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), explicam que “Existem estratégias de contingência viáveis, mas não alternativas plenamente equivalentes à ciclofosfamida. ”, o que exige cautela extrema na adaptação de protocolos e reforça a necessidade de garantir o acesso ao medicamento original.

O Ministério da Saúde divulgou a Nota Técnica nº 6/2026, que reconhece oficialmente o desabastecimento da ciclofosfamida como um problema de alcance nacional e internacional, agravado pela existência de um único fornecedor ativo no país. O documento orienta que serviços oncológicos adotem medidas imediatas de uso racional e criterioso do medicamento, com priorização dos casos de maior urgência terapêutica, especialmente aqueles com potencial curativo, como transplantes de medula óssea e tratamento de leucemias e linfomas.

A nota reforça que eventuais adaptações de tratamento devem ser feitas com base em avaliação clínica individualizada e respaldo técnico-científico, além de recomendar o monitoramento rigoroso de estoques e a articulação entre gestores e serviços de saúde. Já que a previsão para normalização do abastecimento é em julho/2026.

No contexto dos linfomas, por exemplo, a ABHH alerta que “Uma mudança destes protocolos cria um risco real de perda de eficácia e possivelmente uma taxa menor de cura de pacientes. ”. Já no tratamento das leucemias agudas, é enfático o posicionamento de que “Não existe uma droga claramente intercambiável com a ciclofosfamida para os protocolos de tratamento. ”.

Na oncologia pediátrica, o cenário é igualmente preocupante, de acordo com a ABHH e Sociedade Brasileira Oncologia Pediátrica (SOBOPE), “A substituição inadequada pode levar a um aumento das taxas de recaída e complicações associadas ao tratamento. ”, sendo fundamental priorizar o uso da ciclofosfamida em casos críticos e com maior potencial de cura.

A Abrale reforça que o impacto do desabastecimento vai além de uma questão logística, trata-se de uma crise assistencial com potencial de comprometer desfechos clínicos. Nossa equipe de Apoio ao Paciente já recebeu relatos de dificuldade para conseguir o medicamento e estamos acompanhando de perto a situação, acolhendo pacientes e familiares, orientando sobre seus direitos e buscando, junto às autoridades e instituições de saúde, soluções que minimizem os impactos do desabastecimento.

É fundamental que o MS junto da Anvisa, adote medidas coordenadas e urgentes, como a importação excepcional do medicamento, a gestão estratégica de estoques e o suporte às instituições de saúde, a fim de garantir a continuidade dos tratamentos. Nesse contexto, a Abrale se soma às sociedades médicas ao solicitar prioridade absoluta na resolução dessa crise e reafirma seu compromisso com a defesa dos pacientes.

Fonte:
Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Ofício nº 015/2026. Alerta sobre o desabastecimento nacional do medicamento Genuxal® (ciclofosfamida) 1g e solicitação de providências. Brasília, DF, 10 mar. 2026.
Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH); Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO). Parecer técnico sobre alternativas à ciclofosfamida em cenários de desabastecimento no transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas e na terapia celular. 16 mar. 2026.
Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Parecer técnico sobre alternativas à ciclofosfamida endovenosa em cenários de desabastecimento no tratamento de pacientes adultos com leucemias agudas. Comitê de Leucemias Agudas. 18 mar. 2026.
Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Parecer técnico sobre alternativas à ciclofosfamida endovenosa em cenários de desabastecimento no tratamento dos linfomas. 18 mar. 2026.
Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH); Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE). Parecer técnico sobre alternativas à ciclofosfamida em cenários de desabastecimento na hematologia e hemoterapia pediátrica e na oncologia pediátrica. 19 mar. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Departamento de Atenção ao Câncer. Coordenação-Geral de Prevenção e Controle do Câncer. Coordenação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil. Nota Técnica nº 6/2026 – COCANI/CGCAN/DECAN/SAES/MS. Brasília, DF, 20 mar. 2026.

Isadora Cupertino – Analista de Políticas Públicas e Advocacy da Abrale

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