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Atenção ao mieloma múltiplo

Catherine Moura. Médica Sanitarista e CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale)

Estamos nos aproximando do fim de março, mês de conscientização sobre o mieloma múltiplo, um tipo de câncer do sangue que começa na medula óssea, quando as células de defesa se desenvolvem incorretamente e se tornam cancerígenas. Embora seja mais comum em pessoas com mais de 60 anos, a doença também pode ocorrer em adultos jovens.

Os sintomas, como dores na coluna, fraturas ósseas, inchaço nas pernas e fadiga, podem confundir médicos e pacientes, dificultando o diagnóstico precoce.

Entre 2018 e 2022, foram registradas 13.524 mortes por mieloma múltiplo no Brasil, com São Paulo, Minas Gerais e Bahia liderando em número de óbitos.

Mesmo sendo menos comum, este tipo de tumor ainda representa uma alta proporção de mortes por cânceres do sangue.

Apesar dos tratamentos eficazes disponíveis, o acesso a eles é um grande desafio, especialmente no sistema público de saúde.

Segundo dados do Panorama do Mieloma Múltiplo, estudo realizado pelo Observatório de Oncologia a partir de informações abertas do Ministério da Saúde, a maioria (79,7%) dos pacientes demora mais de 60 dias para iniciar o tratamento, o que não cumpre a lei estabelecida.

O acesso a especialistas e o diagnóstico tardio são grandes entraves, de acordo com a Jornada Abrale de Mieloma Múltiplo, a partir de entrevistas realizadas com 164 respondentes. Mais de metade (51%) dos pacientes do SUS levou mais de quatro meses para ter o diagnóstico fechado e a confirmação da doença, enquanto na saúde suplementar esse número foi de 32%.

Outra dificuldade é o acesso aos locais de tratamento, com muitos pacientes morando longe dos hospitais e centros de referência. Além disso, a pesquisa mostrou que a maioria dos entrevistados nunca tinha ouvido falar sobre a doença.

Assim, a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia trabalha para a conscientização da população em geral, pacientes e profissionais de saúde, e atua junto às autoridades para mudar este cenário.

Mantemos comunicação direta com especialistas e decisores em saúde para debater e propor soluções relacionadas à garantia da equidade no cuidado oncológico e à igualdade de oportunidades.

Precisamos alcançar melhores resultados clínicos para todos os que enfrentam o mieloma múltiplo.

Não podemos aceitar que, apesar dos tratamentos disponíveis, muitos brasileiros ainda enfrentem dificuldades no acesso ao tratamento adequado.

Informar sobre a doença e mapear a jornada de quem tem este tipo de câncer de sangue são passos essenciais para melhorar o atendimento e garantir melhores desfechos e qualidade de vida aos pacientes.

 

Fonte: A Tribuna

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