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Abrale contribui para aprovação de dois novos medicamentos na Conitec, um avanço histórico para pacientes onco-hematológicos do SUS

 

Na reunião da Conitec realizada em 06 de maio de 2026, duas importantes tecnologias para o tratamento de pacientes onco-hematológicos (lenalidomida e a combinação de venetoclax com azacitidina) receberam parecer favorável para incorporação no SUS. A decisão representa um avanço para os pacientes e marca a reversão de recomendações inicialmente desfavoráveis, esse resultado só foi possível após atuação ativa da Abrale e ampla mobilização de especialistas, entidades médicas e demais organizações da sociedade civil.

Desde janeiro a Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) está atuando na discussão da lenalidomida para pacientes com mieloma múltiplo na Conitec, e desde fevereiro para o venetoclax em combinação com azacitidina para pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA). Participamos das primeiras reuniões técnicas de ambos os medicamentos, enviamos nossa contribuição nas consultas públicas que aconteceram em março, mobilizamos a sociedade como um todo para enviar contribuições para os temas. Contribuímos diretamente da reunião decisiva de 06 de maio, que teve como posicionamento a inclusão dos medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Atuamos ativamente em todo o processo de avaliação das tecnologias, reafirmando nosso compromisso histórico com a defesa dos pacientes onco-hematológicos e com a ampliação do acesso a tratamentos modernos no SUS.

Lenalidomida

A participação da Abrale começou ainda na etapa inicial de discussão, realizada em 22 de janeiro de 2026, a lenalidomida para manutenção de pacientes com mieloma múltiplo após transplante autólogo de células-tronco. Na ocasião, Dina Steagall, Vice-Presidente da Abrale, apresentou à comissão um panorama da realidade enfrentada pelos pacientes no Brasil. Em sua fala, destacou dados do Observatório de Oncologia, plataforma desenvolvida em parceria com o Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, que apontam que 80% dos pacientes com mieloma múltiplo demoram mais de 60 dias para acessar o tratamento no SUS e que cerca de 40% precisam se deslocar entre municípios em busca de atendimento especializado.

Além dos desafios de acesso, ressaltou que o mieloma múltiplo é uma doença rara, incurável e marcada por frequentes recaídas, exigindo terapias mais eficazes e capazes de prolongar a remissão e a sobrevida. Durante a reunião, Dina também chamou atenção para o atraso histórico do Brasil na incorporação de tratamentos inovadores para a doença, enquanto diversos países já adotaram terapias mais modernas como padrão de cuidado, ela reforçou ainda o alinhamento técnico com o posicionamento da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), defendendo a importância da lenalidomida como referência internacional no cenário pós-transplante.

Assista à reunião completa.

Venetoclax em combinação com Azacitidina

No dia 23 de fevereiro de 2026, durante a reunião da Conitec que discutiu o venetoclax em combinação com azacitidina para leucemia mieloide aguda (LMA), a participação da Abrale voltou a trazer para o centro do debate a realidade dos pacientes. Em sua fala, Dina, destacou não apenas sua atuação institucional, mas também sua vivência pessoal como filha de uma paciente com talassemia major, reforçando a importância do cuidado integral e digno às pessoas com doenças hematológicas. Ela relembrou a atuação contínua da associação em pautas relacionadas à equidade de acesso e destacou que, apenas em 2025, a Abrale realizou atendimento gratuito a 7.917 pacientes com câncer e doenças do sangue em todo o Brasil.

Ao abordar especificamente a LMA, ela chamou atenção para a agressividade da doença e para os desafios enfrentados pelos pacientes no SUS. Ela ressaltou que a doença possui progressão rápida, alto impacto clínico e emocional e exige decisões terapêuticas urgentes, especialmente para pacientes idosos e com comorbidades, frequentemente inelegíveis à quimioterapia intensiva. Em sua apresentação, trouxe dados do Observatório de Oncologia demonstrando aumento de 23% nos óbitos por LMA entre 2008 e 2017, além de destacar problemas estruturais da jornada do paciente, como diagnósticos realizados em situação de urgência, limitação de opções terapêuticas e desigualdade no acesso a tratamentos inovadores em comparação à saúde suplementar e aos padrões internacionais de cuidado.

Também foi enfatizado que a combinação de venetoclax com azacitidina representa uma evolução terapêutica importante, sustentada por evidências clínicas robustas e alinhada às recomendações da ABHH, Além dos ganhos em sobrevida, resposta terapêutica e tolerabilidade para pacientes fragilizados, e o potencial da tecnologia em possibilitar que mais pacientes consigam chegar ao transplante de medula óssea e tenham acesso a outras linhas de tratamento.

Ao final, reforçou que a ausência da tecnologia no SUS aprofundava desigualdades históricas no acesso ao cuidado onco-hematológico e afirmou que aquele era um momento decisivo para que a comissão contribuísse para a redução dessas lacunas no sistema público.

Assista à reunião completa.

Resultado das primeiras reuniões

Ambas as tecnologias receberam parecer inicial desfavorável da Conitec, e com isso a Abrale intensificou sua atuação institucional e mobilizou pacientes, médicos e organizações da sociedade civil em defesa das tecnologias avaliadas.

Nossa atuação na participação social e representação do paciente

Participamos ativamente na perspectiva do paciente e nas consultas públicas, contribuindo tecnicamente para os processos e promovendo ampla mobilização pela incorporação da lenalidomida e do venetoclax com azacitidina no SUS.

No caso da lenalidomida, acompanhamos e divulgamos a CP nº 06/2026 e a reabertura dela após a identificação de um erro técnico no formulário inicialmente disponibilizado pela Conitec. A decisão de reabrir o processo sem desconsiderar as contribuições anteriores garantiu a legitimidade da participação social e permitiu que as manifestações da sociedade fossem devidamente consideradas na análise final.

Em nossa contribuição reforçamos que a lenalidomida representa hoje o padrão internacional de manutenção pós-transplante, com evidências robustas de aumento da sobrevida livre de progressão e melhora da qualidade de vida dos pacientes.

Já no processo relacionado ao venetoclax em combinação com azacitidina, enviamos contribuição técnica robusta à CP n° 18, apresentando um amplo panorama da jornada dos pacientes com LMA no SUS, destacando desigualdades regionais, impacto da doença em pacientes idosos e vulneráveis e a limitação das opções terapêuticas atualmente disponíveis no sistema público.

Reforçando também evidências científicas que demonstram benefícios clínicos expressivos da combinação dos medicamentos, incluindo aumento de sobrevida global, maiores taxas de remissão e menor toxicidade em comparação aos tratamentos atualmente disponíveis no SUS.

Reunião de decisão na Conitec

Na reunião final da Conitec, realizada em 06 de maio de 2026, a Abrale voltou a se posicionar em defesa dos pacientes. Dina Steagall Vice-Presidente da Abrale, reforçou os desafios enfrentados tanto pelos pacientes com mieloma múltiplo quanto por aqueles com leucemia mieloide aguda, destacando a urgência de incorporar tratamentos mais modernos, eficazes e seguros no SUS.

Em sua fala, ela chamou atenção para o fato de que muitos pacientes atendidos exclusivamente pelo sistema público ainda permanecem restritos a terapias consideradas defasadas, aprofundando desigualdades em relação à saúde suplementar e aos padrões internacionais de cuidado.

Nossa atuação completa

Ao longo de todo o processo, a atuação da Abrale foi pautada pela defesa técnica, institucional e social do acesso à inovação em saúde, o desfecho da reunião de 06 de maio marcou uma importante conquista para os pacientes oncológicos, já que ambas as tecnologias receberam parecer favorável para incorporação no SUS, revertendo recomendações preliminares inicialmente desfavoráveis.

A trajetória dessas avaliações reforça também a importância da participação das organizações da sociedade civil nos processos da Conitec, a presença de entidades como a Abrale permite que a experiência real dos pacientes seja incorporada às discussões técnicas, qualificando o debate e trazendo para o centro da decisão aspectos relacionados à jornada do cuidado, às desigualdades de acesso e ao impacto das doenças na vida das pessoas.

A participação social fortalece a transparência, amplia a legitimidade das decisões em saúde pública e contribui para a construção de políticas mais equânimes, centradas no paciente e alinhadas às necessidades reais da população brasileira.

Quais os próximos passos?

Agora, após a recomendação favorável da Conitec, a expectativa é que o Ministério da Saúde avance rapidamente nas próximas etapas para garantir o acesso efetivo dos pacientes às novas tecnologias.

Isso inclui a atualização dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs) do mieloma múltiplo e da leucemia mieloide aguda, contemplando os novos medicamentos incorporados, além da realização das negociações de compra e definição dos fluxos de disponibilização no SUS.

A Abrale seguirá acompanhando de perto todo esse processo, reforçando que é preciso que a implementação aconteça com agilidade, para que os pacientes possam ter acesso aos tratamentos aprovados o mais rápido possível.

Isadora Cupertino Analista de Políticas Públicas e Advocacy da Abrale

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