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Data de criação: 22 Abril 2016

Câncer Infantil - Linfoma não-Hodgkin

Cerca de 60% dos casos de linfoma em crianças e adolescentes são de linfoma não-Hodgkin (LNH) e as chances de cura vão de 60% e 90%, a depender das características clínicas de cada paciente.

O LNH surge quando os linfócitos que moram no sistema linfático, e que deveriam nos proteger contra as bactérias, vírus, dentre outros perigos, se transformam em malignas, crescendo de forma descontrolada e “contaminando” o sistema linfático.

São vários os tipos de LNH, que podem surgir em diferentes partes do corpo. Isto ocorre devido a quantidade de linfócitos normais em nosso organismo (os linfócitos B, T e NK), que desempenham papeis diferentes no organismo, em especial o de combater infecções. No LNH, as células mais afetadas são as do tipo B e as do tipo T.

O linfoma não-Hodgkin é classificado de acordo com seu estadiamento (quantidade de doença no corpo). São eles:

Estágio I – quando há apenas um único grupo de linfonodos acometido ou um único órgão linfoide acometido.

Estágio II – quando estão envolvidos dois ou mais grupos de linfonodos do mesmo lado do diafragma.

Estágio III – quando os grupos de linfonodos acometidos estão em posições diferentes (acima e abaixo) do diafragma.

Estágio IV – quando estão envolvidos linfonodos e outros órgãos (como pulmões, fígado, ossos) e/ou medula óssea.

 

Subtipos

Os linfomas não-Hodgkin em crianças geralmente pertencem a um dos três tipos principais:

Linfoma linfoblástico - É responsável por cerca de 25% a 30% dos linfomas em crianças e adolescentes. A incidência em meninos é duas vezes maior do que em meninas, mas ainda não se sabe o porquê.

A maioria dos casos se desenvolve a partir das células T, e pode crescer rapidamente. Como ele se inicia na região torácica (mediastino), a criança pode ter dificuldade para respirar. 

Linfoma de Burkitt – Representa cerca de 40% dos linfomas em crianças, e é mais frequente em meninos entre 5 e 10 anos de idade. Ele quase sempre se inicia no abdome, o que causa dor de barriga, náuseas e vômitos, mas também pode surgir no pescoço. Como seu crescimento é rápido, é muito importante dar início ao tratamento o quanto antes.

Linfoma de Grandes Células – Este tipo pode crescer em qualquer parte do corpo. Eles costumam ser mais comuns em adolescentes. São dois os seus principais subtipos:

· Linfoma de Grandes Células Anaplásicas: representa cerca de 10% de todos os LNH em crianças, e geralmente podem se iniciar na pele, pulmões, ossos, sistema digestivo ou outros órgãos.

· Linfoma Difuso de Grandes Células B: este linfoma representa 15% dos linfomas em criança, e geralmente começa como uma massa de crescimento rápido em locais como a região torácica (mediastino), abdome, pescoço e ossos.  

 

Sinais e sintomas

os filhos dos outros5Os principais sinais apresentados são:

· Aumento dos gânglios linfáticos sem dor (carocinhos, que geralmente aparecem na região do pescoço, virilha e axila);

· Febre e fadiga;

· Suor noturno;

· Perda repentina de peso;

· Aumento do volume no tórax e abdome;

· Tosse, falta de ar e dor na região do tórax;

· Aumento do baço (também chamado de esplenomegalia).

Importante! Fique sempre atento a qualquer mudança física e de comportamento que a criança e o adolescente podem apresentar. Quanto antes o LNH for descoberto, melhor. O diagnóstico precoce fará toda a diferença na conquista por melhores resultados durante o tratamento. 

 

Diagnóstico

Se o paciente apresentar o aumento dos gânglios (“íngua” carocinhos), o médico fará um exame físico para avaliar a região. Mas é importante saber que o aumento dos gânglios pode acontecer em locais imperceptíveis, como na região do abdome e peito.

Mas para confirmar o linfoma, será necessária uma apuração mais aguçada.

Exames de imagens costumam ser solicitados para determinar a extensão da doença, quais órgãos e partes do corpo foram atingidos. São eles:

· Tomografia computadorizada: o equipamento possui uma mesa em que o paciente fica deitado para a realização do exame, e por meio de raio x, pequenas fatias de regiões do corpo são avaliadas.

· Ressonância magnética: este método utiliza ondas eletromagnéticas para a formação das imagens e permite uma avaliação dos órgãos internos de uma maneira mais detalhada.

· PET Scan: ele mede variações nos processos bioquímicos, e pode ajudar a mostrar se um gânglio linfático aumentado contém linfoma ou se é uma alteração benigna. Este exame também pode identificar se pequenas áreas do corpo contém a doença e até se o linfoma respondendo ao tratamento.

Para realizá-lo, o paciente deve receber uma injeção de glicose ligada a um elemento radioativo, e ao se submeter a uma tomografia computadorizada, os sinais da radiação emitidos pelo elemento radioativo poderão determinar qual a região em que a glicose está metabolizada em excesso.  

Encontrados os gânglios, nódulos aumentados ou órgãos acometidos, será necessário realizar uma biópsia, ou seja, será removida uma amostra do tumor para análise.

Caso seja constatado o linfoma, é nessa fase que começam os testes de citogenética e imuno-histoquímica nas células, que por meio de uma pequena amostra do tumor, irão classificar o tipo do linfoma e seu estadiamento. 

É possível que o médico peça uma biópsia da medula óssea (por meio de uma agulha, é removido um pequeno fragmento do osso na região lombar), que mostrará se a medula também foi afetada pelo linfoma.

O hemograma (exame de sangue) irá monitorar as contagens das células sanguíneas ao diagnóstico e durante o tratamento.

**Todos estes exames estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Se estiver enfrentando algum problema, saiba que a Abrale oferece gratuitamente Apoio Jurídico.

Converse com o médico a respeito dos exames e procure tirar todas as suas dúvidas: como são feitos os procedimentos, se há algum risco, em quanto tempo saberá o resultado e o que mais quiser saber. É muito importante se sentir seguro!

 

Tratamento

A medicina tem avançado bastante nos tratamentos de linfoma não-Hodgkin e as chances de cura são, em média, de 60 a 90%. Mas é muito importante que a doença seja descoberta logo no início! Os tratamentos existentes para o linfoma não-Hodgkin são:

Quimioterapia

Cada caso é avaliado individualmente, mas este é um dos tratamentos mais comuns.

Medicamentos extremamente potentes no combate ao câncer são utilizados com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes. São eles:

· Corticoide

· Vincristina

· Antraciclina

· L-Asparaginase

· Quimioterapia intratecal em alguns casos

· Ciclofosfamida

· Citarabina

· Mercaptopurina

· Methotrexate

· Etoposide

· Ifosfamida

Ela pode ser oral ou aplicada direto no sangue, por meio de um cateter. Também pode ser intratecal, quando há a necessidade de fazer com que o tratamento do linfoma chegue ao sistema nervoso central, diretamente por meio do líquido espinhal. 

Sua administração é feita em ciclos, com um período de tratamento, seguido por um período de descanso, para permitir ao corpo um momento de recuperação. Saiba como cuidar de seu cateter

Alguns efeitos colaterais podem surgir, como enjoo, diarreia, obstipação, alteração no paladar, boca seca, feridas na boca e dificuldade para engolir. Mas saiba que existem medicamentos para amenizar cada um deles. A nutrição também é uma importante aliada na melhora de cada um deles, e por isso a Abrale fez uma seleção de alimentos que vão te ajudar bastante neste momento.

A queda de cabelo costuma acontecer, pois a quimioterapia atinge as células malignas e também as saudáveis, em especial as que se multiplicam com mais rapidez, como os folículos pilosos, responsáveis pelo crescimento dos cabelos. Nessa fase, busque por alternativas como lenços, bonés, chapéus ou perucas, caso se sinta mais à vontade.

A imunidade baixa, comum a esta fase do tratamento, pode facilitar o surgimento das infecções. A febre é o aviso de que um processo infeccioso está começando, então não deixe de procurar seu médico. Se for necessário, medicamentos serão administrados.

Mas com pequenos cuidados, como lavar as mãos com frequência, é possível evitar que essas temidas infecções apareçam. Veja outras dicas

Imunoterapia

As células cancerígenas são muito espertas e, por crescerem de forma rápida e descontrolada, podem enganar o sistema imunológico, para que ele não as veja como uma ameaça ao desligar a resposta imune ou parar as funções imunológicas que poderiam destruí-las. Com isso, a imunoterapia faz com que o próprio sistema imunológico reconheça as células doentes e as ataque.

Aqui, os medicamentos ajudam o próprio sistema imunológico do paciente a combater as células com câncer. Eles são aplicados via intravenosa, e podem apresentar efeitos colaterais como prurido, calafrios, febre, náuseas, erupções cutâneas, fadiga e dores de cabeça.

O Rituximabe, que pode ser administrado junto com a quimioterapia e radioterapia é um dos principais anticorpos monoclonais utilizados.

Este medicamento tem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é distribuído gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para alguns tipos de linfoma, mas ainda não tem indicação em bula para as crianças e adolescentes.

A Abrale oferece gratuitamente Apoio Jurídico a todos os pacientes do Brasil. Se você está enfrentando alguma dificuldade em seu tratamento, não hesite em nos contatar!

Radioterapia

É usada em raros casos, e geralmente junto à quimioterapia. Por meio de radiações ionizantes, ela destrói ou inibe o crescimento das células anormais que formam um tumor.

Como efeitos colaterais, pode apresentar problemas de pele, como ressecamento, coceira, bolhas ou descamação. Veja como cuidar da pele

Transplante de medula óssea

Também chamado de transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) é uma importante alternativa. Mas só é indicado quando o paciente não responde aos tratamentos iniciais. Se a medula não foi afetada, o transplante autólogo será realizado (a medula utilizada é a do próprio paciente). Se este órgão estiver acometido pelo linfoma, será necessário encontrar um doador 100% compatível.

Para entender melhor sobre o transplante, clique aqui.

 

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