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Ministério da Saúde incorpora medicamento para Mieloma Múltiplo

Atuação intensa da Abrale contribuiu para a incorporação da lenalidomida no SUS

O Ministério da Saúde incorporou a lenalidomida ao Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Portaria nº 26, de 28 de maio de 2026, para o tratamento de pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticados que foram submetidos ao transplante de células-tronco.

A lenalidomida é considerada o padrão internacional de tratamento de manutenção após o transplante em pacientes com mieloma múltiplo, estudos clínicos demonstram que a terapia contribui para prolongar o período de controle da doença, aumentar a sobrevida livre de progressão e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, reduzindo o risco de recaída após o transplante.

Atuação da Abrale para essa incorporação

A incorporação é resultado de um amplo processo de avaliação conduzido pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que contou com intensa participação da Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale).
Desde o início das discussões, em janeiro de 2026, a Abrale vem atuando na avaliação da tecnologia, participando das reuniões técnicas, apresentando contribuições à comissão e mobilizando pacientes, médicos, especialistas e organizações da sociedade civil em defesa da incorporação.

Durante a primeira discussão do tema na Conitec, a vice-presidente da Abrale, Dina Steagall, apresentou dados que evidenciam os desafios enfrentados pelos pacientes com mieloma múltiplo no Brasil, incluindo atrasos no acesso ao tratamento e dificuldades de deslocamento para centros especializados, destacando que a doença é incurável e marcada por frequentes recaídas, o que reforça a necessidade dos pacientes de terem terapias capazes de ampliar o tempo de remissão e a sobrevida.

Após receber recomendação preliminar desfavorável da Conitec, a Abrale intensificou sua atuação na consulta pública, contribuindo tecnicamente para o processo e promovendo ampla mobilização social em favor da tecnologia. A associação também acompanhou a reabertura da consulta pública após a identificação de um erro técnico no formulário inicialmente disponibilizado, garantindo que as contribuições da sociedade fossem devidamente consideradas na análise final.

A recomendação favorável aprovada pela Conitec em maio de 2026 e posteriormente formalizada pelo Ministério da Saúde representa um importante avanço para os pacientes com mieloma múltiplo atendidos pelo SUS.

Saiba mais sobre nossa atuação.

E o que acontece agora?

Com a incorporação, o sistema público passa a disponibilizar uma terapia alinhada às principais diretrizes internacionais, ampliando as opções terapêuticas e reduzindo desigualdades históricas de acesso à inovação em saúde.

Apesar da publicação da portaria, ainda são necessárias etapas importantes para que o medicamento chegue efetivamente aos pacientes.

Agora o Ministério da Saúde deve atualizar o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do mieloma múltiplo, definir os fluxos assistenciais, realizar os processos de aquisição e distribuição do medicamento e orientar sua implementação na rede pública. Essas medidas devem ser concluídas em até 180 dias após a publicação da portaria.

Após a conclusão das etapas de implementação, a lenalidomida estará disponível no SUS a partir de 24 de novembro de 2026.

A Abrale seguirá acompanhando todas as etapas desse processo para garantir que a incorporação se traduza em acesso real e oportuno aos pacientes.

Isadora Cupertino Analista de Políticas Públicas e Advocacy da Abrale

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